quinta-feira, 17 de maio de 2012

Caminho de Fisterra: Dia 2 (26 de Abril: Negreira - Olveiroa)


Choveu intensamente durante toda a noite, de tal forma que água impelida pelo vento forte embatia com violência contra as vidraças do albergue! Antevia-se mais um dia de mau tempo, mas já eram tantos e estávamos de tal forma habituados que já nem notávamos! Queria deixar uma nota muito positiva para o albergue municipal de Negreira, com boas condições e com um pormenor que o António Delfino iria adorar: só tinha camas de baixo, não tinha beliches! Recomeçámos o Caminho de Fisterra às 07h20 da manhã, acho que o foi o dia que começámos mais cedo, até porque a etapa de Negreira a Olveiroa seriam qualquer coisa como 33,2 km! Como já receávamos a chuva apareceu algumas vezes, mas com pausas. Só já pediamos que na etapa de Fisterra pudessemos ver o sol para cumprirmos os rituais finais do Caninho! Parámos para comer e descansar um pouco num bar junto à estrada a seguir à povoação de Maroñas! Já aqui tinha parado em 2010 e 2011, achei piada a este bar porque está afixado um aviso a proibir os peregrinos de se descalçarem lá dentro e percebe-se porquê! Eh!Eh!Eh! Retomámos a travessia às 11h55.

Depois da povoação de Lago reencontrámos uma peregrina com quem já se tinhamos cruzado mais atrás e que havia saido do albergue de Vilaserio! Acabámos por meter conversa com ela, chamava-se Maria Angel, Angie para os amigos, até porque era mais fácil de pronunciar, como nos confidenciou! Era de Madrid! Em Novembro de 2011 na companhia de uma amiga, tinha feito o Caminho desde Astorga a Santiago em 11 dias e ficou com "ganas" de fazer o Caminho de Múxia-Fisterra, pelo que agora teve oportunidade de o realizar! Em amena cavaqueira mal demos por chegar a Olveiroa! A Angie, como tinha menos 11 km que nós, decidiu descansar e comer qualquer coisa em Olveiroa e continuar até Dumbria, ou seja, mais 9 km! Indicámos-lhe 1 bar e 1 restaurante onde ela poderia comer, demos-lhe o endereço do nosso blogue e despedimo-nos da simpática "madrileña"! Por volta das 14h00 instalámo-nos calmamente no albergue municipal, tomámos banho, descansámos um pouco e o Pimpão aproveitou para lavar roupa! Eu tinha lavado na véspera em Negreira, aliás, foi a primeira vez que lavei roupa mão, o mau tempo não consentira que o fizessemos mais vezes! Como a hospitaleira só viria registar o pessoal entre as 18h30 e as 19h00, tivemos toda a tarde livre, que aproveitámos para comer uns calamares e beber umas canhas no bar "O Peregrino" (já nosso "velho" conhecido de 2010, em 2011 estava "cerrado"). Comprámos leite e bolos no bar do novo albergue (privado) que já funcionava em Olveiroa e bem falta fazia, pois, o municipal enchia com muita facilidade!

Jantámos por volta das 20h00 no bar "O Peregrino", enquanto esperávamos pela comida recebemos um telefonema dos nossos companheiros, estavam a ter uma viagem muito atribulada de regresso a casa! O autocarro chegou muito tarde ao Porto e tinha sido uma correria até à Campanhã, nem tempo para comer tiveram e para acabarem em beleza surgiu um problema na linha em Belver e o Marco (o filho do Castro) teve que os ir buscar de carro! Mais tarde soubemos que chegaram a Nisa por volta das 9 da noite! Após o jantar visitámos a cozinha do albergue, onde jantavam alguns peregrinos, reconhecemos o irlândes! Ardia um apetecivel lume na lareira da cozinha! Também estavam no albergue um peregrino francês e um holandes que conheceramos em Negreira! Continuava a chover e fazia frio! Próximo das 22h00 chegou ao albergue uma peregrina que nos pareceu ser inglesa que, imaginem, tinha juntado 2 etapas em 1, ou seja, vinha de Santiago! Nunca lhe perguntámos porque tinha feito uma loucura destas, porque é mesmo uma loucura, a não ser que tenha havido uma razão muito forte, que nunca chegámos a saber qual tinha sido! Conclusão, estava de rastos, a hospitaleira ía para lhe instalar um colchão no chão, porque a senhora não estava em condições físicas para subir a beliches de 1º andar (os únicos livres aquela hora...), mas o Pimpão fez a boa acção do dia e cedeu a sua cama à dita peregrina que lhe agradeceu encarecidamente, gesto que deixou também satisfeita a hospitaleira! Adormeci por volta das 11 da noite ao som da música do telemóvel, esperançado que S. Pedro desse uma trégua no dia seguinte!

Fotos (autoria): António Pimpão

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