segunda-feira, 2 de maio de 2011

Diário do Caminho Português: 6º Dia, 14 de Abril, O Porriño/Pontevedra (34,9 km)












Partimos do albergue de O Porriño às 06h30 da manhã. Efectuámos uma primeira paragem em Redondela, eram 10h30 da manhã no Bar Niza (tão longe e tão perto de casa...lol), comemos bocadillos com vinho branco fresco. Às 13h30 nova paragem, desta feita, em Arcade para provar as melhores ostras da Galiza. Apenas eu e o Alexandre fomos para as ostras, 2 dúzias para "nosotros", com limão e pimenta e cerveja fresca! Os restantes companheiros optaram por outros frutos do mar. Já perto de Pontevedra parámos num bar para beber uma caneca de cerveja, o cansaço e o calor a isso obrigaram. O Alexandre e o Pimpão que se adiantaram a seguir a Arcade, já nos aguardavam no bar Avoa em Pontevedra, mesmo em frente ao albergue. Chegámos às 17h20 e aí bebemos canhas e comemos tapas. 2 notas muito pouco positivas a registar neste albergue: 1º o horário de fecho era às 22h00, mas vá lá saber-se porquê, os hospitaleiros informaram que encerrava às 21h00 (?) e em 2º lugar tomámos duche de água fria! Após o banho, demos uma volta por Pontevedra para comprar mantimentos para o desayuno do dia seguinte e para procurar sitio para jantar. Acabámos por nos decidir pelo Bar da Estação que tinha ementa do peregrino. No final da refeição juntaram-se a nós as 4 espanholas que o Rosalino tinha conhecido no Caminho de Finisterra em 2010, a Mila, a Bea, a Gema e a Emilia, que ele teve a gentileza de convidar para beber café connosco. Inevitavelmente revisitámos o Caminho de 2010, foi um momento de boa disposição! Conversa puxa conversa e quando demos por nós já passava das 10 horas da noite, mas tínhamos a coisa controlada no albergue, o Rosalino tinha ficado com o contacto de um casal de peregrinos portugueses (de Vila Franca de Xira), que nos abririam a porta. Quando lá chegámos já passava das 22h30 e nem foi preciso ligar ao casal, pois o tal grupo de alunos que havíamos conhecido no dia anterior abriu-nos a porta e ainda estavam quase todos a pé! Deambulámos um pouco mais pelos espaços de convívio do albergue em confraternização com o grupo de alunos portugueses, já na cama ainda ouvi um pouco de música, a etapa do dia seguinte (até Caldas de Reis) iria ser substancialmente mais curta, por isso dava para relaxar um pouco mais. Desta jornada não resisto a destacar a bonita panorâmica sobre a Ria de Vigo (Rias Baixas...), a Pontesampaio e, claro está, as ostras de Arcade!


Fotos: António Delfino

domingo, 1 de maio de 2011

Diário do Caminho Português: 5º Dia, 13 de Abril, Rubiães/O Porriño (36,6 km)













Começámos a etapa às 06h40 da manhã. Parei um pouco com o António Delfino a seguir a Fontoura para despir alguma roupa e descansar um pouco, o tempo estava a aquecer. Em Valença do Minho, um pouco antes da ponte internacional sobre o Rio Minho que separa Portugal de Espanha, parámos algum tempo no Bar Cais Café para comer o bacalhau e os filetes que tinha sobejado do jantar da véspera em Rubiães, regados a rigor com um fresquíssimo verde branco da região. Valença do Minho surpreendeu-me pela sua dimensão, nunca pensei que fosse uma cidade tão grande. Na passagem da fronteira registámos o momento com algumas fotos à entrada e em cima da ponte. Lembro-me que em jeito de piada comentámos entre nós que tínhamos levado 1 hora a atravessar a ponte, uma vez que nela entrámos às 12h00 e quando chegámos ao outro lado já eram 13h00 (hora espanhola). Num bar de Tui bebemos mais vinho verde e comemos tapas, lembro-me que foi uma senhora portuguesa que nos serviu, havia também alguns clientes portugueses nesse bar com os quais trocámos algumas impressões. Aproveitámos para jogar no euro-milhões espanhol. Tirámos algumas fotos junto à imponente Catedral de Tui e também junto ao albergue com a sua simpática hospitaleira de seu nome Teresa, que nos carimbou as credenciais. Mais à frente efectuámos nova paragem mais prolongada (o calor apertava e asfalto também não ajudava...) no bar "O Mirón" em Ribadelouro para beber estrella galicia e comer tapas. Nota menos nesta etapa, a interminável zona industrial de O Porriño com imenso trânsito. Chegámos ao albergue de O Porriño às 18h45 (hora espanhola). Jantámos o menu do peregrino na Bocateria Simplicio na zona histórica desta cidade, que incluiu café e o incontornável "xupito". Regressámos ao albergue um pouco antes das 22h00. Neste dia percorremos a maior distância numa só jornada, deixámos o Minho (Portugal) e entrámos na Galiza (Espanha) e à chegada ao albergue de O Porriño travámos conhecimento com um simpático grupo de estudantes do norte, que presumo terem começado a peregrinação em Valença do Minho.

Fotos: António Delfino

sábado, 30 de abril de 2011

Diário do Caminho Português: 4º Dia, 12 de Abril, Lugar do Corgo (Vit. de Piães)/Rubiães (32,9 km)













Após um um frugal pequeno-almoço preparado pelo Jacinto que foi o culminar de um verdadeiro tratamento "vip", pusemos de novo pés ao Caminho, eram 06h40 da manhã. Parei com o António Delfino a 1 km de Ponte de Lima para beber café e comprar pilhas para a máquina fotográfica. Voltámos a parar cerca de 1 hora em Ponte de Lima para descansar, visitar alguns pontos de interesse e para comer bifanas grelhadas no pão regadas com bom vinho verde de tinto (conhecido nesta zona por sangue de boi) servido em malgas de porcelana. O Alexandre comeu salada mista. À saída do restaurante o António Delfino comprou um relógio numa loja de chineses (o que trazia parou de trabalhar...) e o Leonel comprou uma bandeira de Portugal. O trilho que seguiu até Arcozelo foi muito bonito com imensas latadas de videiras. Um pouco antes tínhamos passado pelo albergue de Ponte de Lima, um dos melhores do Caminho Português! Seguiram-se 2 paragens para reposição de liquidos (o calor começava a apertar), primeiro no bar Ribario em Arcozelo com um viveiro de trutas para pesca desportiva e turística, onde aproveitámos também para carimbar a credencial e um pouco mais à frente em Arco imediatamente antes da dura subida da Serra da Labruja. Uma subida com um desnivel acumulado de 320 metros e com uma inclinação considerável, nomeadamente, até à Cruz dos Franceses. A progressão teve quer ser feita com algumas pausas pelo meio. Ao chegarmos ao Alto da Portela/Labruja efectuámos uma pausa um pouco mais prolongada numa fonte de água fresquíssima, qual oásis perdido! Até Rubiães foi sempre a descer, por alguns trilhos e caminhos com muita pedra solta. Chegámos ao albergue de S. Pedro de Rubiães às 17h10. No restaurante Constantino jantámos o que se pode designar por verdadeiras doses industriais de bacalhau, filetes, costeletas e salada. O norte do país tem fama de servir bem e em Rubiães não estiveram pelos ajustes! Inevitavelmente lá mandámos embalar o que sobejou do jantar para o pequeno-almoço da jornada seguinte. O dia de hoje pautou-se por uma travessia particularmente dura, não tanto pela distância percorrida, mas acima de tudo pelo calor e pela subida da Serra da Labruja. O passeio de cerca de 1 km do restaurante até ao albergue ajudou um pouco à digestão do jantar e para fazermos a ante-visão da jornada seguinte.

Fotos: António Delfino