terça-feira, 7 de julho de 2015

Caminho Sanabrês: 06-06 (10ª Etapa: Laza - Xunqueira de Ambía, 32,8 km)

 
 
 
 
 
 
 
 
Às 06h20 da manhã deixava o albergue de Laza na companhia do Ramon (peregrino de Madrid que começara o Caminho em Puebla de Sanabria). Fizemos a etapa sempre juntos, excelente companheiro de jornada! Após a Ermida de Tamicelas (ao km 6,5) começa a dura subida até Alberguería (5,2 km)! Primeiro por caminho de terra batida e depois por caminho pedregoso! Lembrava-me principalmente daquele trilho pedregoso em ascenso aquando da minha passagem por ali em 2007! Lá fomos subindo gradualmente, com algumas pausas para beber água e para tirar algumas fotos! Pouco depois das 09h00 da manhã chegávamos a Alberguería e ao mítico Rincón del Peregrino (bar das conchas) do Luís Sandes! Havia musica de fundo, mas o bar estava fechado, segundo nos disseram 2 habitantes locais, o Luís tinha ido comparar pão numa povoação ali perto! Tirámos fotos no alpendre do bar, também enfeitado com inúmeras conchas! Comemos fruta e frutos secos que trazíamos nas mochilas! Pouco tempo depois chegaram os bicigrinos portugueses de Vila Real! Felicitaram-nos por já ali chagarmos tão rapidamente, ainda por cima após a dura subida! Resolvemos retomar o Caminho, pois o Luís parecia estar demorado!
 
Por volta das 11h00 da manhã chegámos a Vilar do Barrio! O Ramon queria cumprimentar umas pessoas que tinham amigos em comum! Contudo não se encontrava ninguém em casa! Ficou a vizinha com a mensagem que o Ramon passara por ali! Entrámos no Café-Bar Manuel para retemperar forças! A senhora do bar ofereceu umas tapas de "empanada"! Conhecemos um figura e tanto neste bar! Um português de seu nome Manuel António Morereira de A-Ver-o-Mar (Póvoa de Varzim)! Já tinha corrido meio mundo, com várias ocupações, entre as quais, músico de rua! Fez-nos companhia enquanto ía bebendo licores de café, bastante falador e parecia já estar um pouco para lá do meio...eheheh...! Mais reconfortados e com energias renovadas, avançamos para os derradeiros 14 km da etapa! Em Quintela, um pouco antes do final da etapa, parámos numa fonte para refrescar a alma e matar a sede! Às 14h12 chegávamos ao albergue de Xunqueira de Ambía (que fica num pavilhão, antes da localidade). O Ramon já tinha previamente decidido que ficaria numa unidade de turismo rural em Xunqueira, pois queria ver tranquilamente a final da Liga dos Campeões, entre o Barcelona e a Juventus! Na cozinha do albergue tive uma agradável surpresa: ali estava a nossa amiga Zelinda! Cumprimentei-a calorosamente perguntando-lhe como se encontrava! Disse-me que estava bem mas que teríamos que por a conversa em dia! Percebi que ela precisava de falar sobre o que sucedera em Lubián! A seu tempo falaríamos, não queria pressioná-la de forma alguma, a conversa teria que acontecer naturalmente e sem pressões, para chatices já bastava o que lhe tinha sucedido em Lubián! A Zelinda estava na companhia de alguns (novos) amigos que me apresentou: 3 italianos, o Plácido, o Vincenzo e o Juliano! 2 franceses, o Daniel e o Gerard (este a viver na Alemanha)! Não foi preciso muito tempo de conversa para perceber que era tudo gente muito boa!
 
Mais tarde o Ramon também voltou ao albergue para por a conversa em dia com a nossa amiga! Durante a tarde passei pelo centro de Xunqueira de Ambía, fiz compras numa "tienda". Reparei que o centro de saúde estava fechado! Continuei a por a pomada que comprara de véspera! Decidi aceitar o conselho da Zelinda! No dia seguinte iria ao médico em Ourense e faria um banho termal, que era gratuito, nas águas termais junto ao rio Minho! Sentei-me tranquilamente na praça central de Xunqueira e, mais tarde, tirei umas fotos à igreja românica! Percebi que por ali se preparavam os festejos do Corpo de Cristo! Mais tarde combinei com a Zelinda e com os italianos e franceses de irmos todos jantar ao restaurante! Estava necessitado de uma refeição quente! A ementa teve caldo galego, carne de porco de jardineira com caril, gelado, água fresca e vinho tinto! A Zelinda gracejou dizendo-me para beber pouco vinho por causa da alergia! A água seria melhor para limpar o organismo! Fazia sentido! Contudo retribui-lhe a graça, dizendo-lhe que o vinho tinto também tinha água! Assistimos à primeira parte da Liga dos Campeões que o Barcelona vencia por 1-0! Chegámos ao albergue no preciso momento em que o sol se escondia no horizonte, acontecimento sempre único e maravilhoso, proporcionando algumas fotos para registar o momento, antes do recolher...!


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Caminho Sanabrês: 05-06 (9ª Etapa: A Gudiña - Laza, 34,1 km)

 
 
 
 
 
 
 
O dia de caminhada começou às 06h20 da manhã, ainda antes do nascer do sol! Cada vez mais sentia a importância de começar a caminhar bastante cedo para fugir às horas de mais calor! Até porque amanhecia muito cedo, sendo possível tirar partido desse período de maior frescura, onde a caminhada era mais produtiva! O guia Gronze referenciava esta etapa como das mais belas e solitárias do Caminho Sanabrês! Uma etapa montanhosa e com minúsculas aldeias quase desabitadas! Mas como não há bela sem senão, tinha tudo isto sim, mas tinha também demasiado alcatrão! Creio que foi das etapas com mais asfalto, pese embora, na sua maioria se tratar de estradas secundárias sem quase trânsito nenhum! O périplo por estas aldeias começou em Venda do Espiño, passando pela Venda da Teresa, Venda da Capela e Venda do Bolaño! Foram cerca de 13 km desde A Gudiña até à última das 4 Vendas...! Tinha previamente definido parar em Campobecerros para retemperar forças! Foram mais 6,6 km desde a Venda do Bolaño, com destaque para uma descida ingreme e com imensas lascas de xisto solto até Campobecerros! Não pude deixar de imaginar o que seria aquele troço com tempo de chuva e piso molhado! A parte inicial da etapa fi-la na companhia dos quatros peregrinos das Canárias! Parámos em Campobecerros, onde já estava o Stephen, um peregrino alemão e o Patric! A paragem ocorreu no Bar da Rosário! Pedi o habitual Aquarius com gelo e limão e acompanhei com alguma comida que trazia na mochila! A simpática Rosário ainda nos ofereceu pão de ló! Carimbei a credencial! Retomámos o Caminho! Antes de Porto Camba chamou-nos a atenção uma placa em pedra, um memorial evocativo de uns "carrillanos" portugueses "veciños do concello de Castrelo do Val", mortos no período fascista, em 20 de Agosto de 1936! Na saída do pequeno "Pueblo" de Porto Camba saciámos a sede numa fonte de água muito fresca! Pouco depois das 12h30, tempo para mais uma paragem em As Eiras, numa zona de descanso na saída da aldeia! Descansamos à sombra, bebemos bastante água e molhámos a cara e a cabeça! No fundo recarregámos baterias para os últimos 6 km até Laza! Às 14h10 efetuámos o registo na Proteção Civil de Laza e fomos encaminhados para o albergue! Recordava-me daquela Praça (já lá tinha estado em 2007, vindo na altura de Chaves...), com a farmácia e o edifício da Proteção Civil! À chegada ao albergue ouvi falar português! Eram 3 peregrinas portuguesas (que moravam em Alhandra), tinham começado o Caminho em Chaves e que nesta jornada vinham de Verin! Era reconfortante ter a companhia e a proximidade do nosso povo...eheheh...principalmente quando se vem caminhando há 9 dias sem sinal de portugueses no Caminho (à exceção do bicigrino do Porto com quem falara em A Gudiña). Após o banho notei que as minha alergia estava um pouco pior, com algumas bolhas de liquido que cada vez mais achava que eram provocadas pelo calor! Comprei uma pomada anti-histamínica e aproveitei para comprar uns pensos de silicone de várias medidas para ir protegendo as bolhas, que felizmente, estavam a querer secar! Jantei com o Ramon no albergue: salada mista, massa com tomate, latas de Estrella Galicia e fruta! Antes do repasto já tinha feito uma permuta com um simpático peregrino galego, emprestei-lhe betadine e ele cedeu-me um pouco de pomada corticoide para a minha alergia! O verdadeiro espirito peregrino traduzido na partilha! Já mais tarde chegou mais um grupo de bicigrinos portugueses, de Vila Real!  


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Caminho Sanabrês: 04-06 (8ª Etapa: Lubián - A Gudiña, 24,5 km)

 

 
 
 

 
A saída de Lubián ocorreu às 06h30 com alguns tímidos pingos de chuva que não chegaram a apagar o pó! Foram 2 horas até ao Alto de A Canda, local que assinala a entrada na Galiza! Primeiro em ligeiro ascenso e depois em subida mais acentuada à medida que nos aproximávamos de A Canda! Foi precisamente num dos marcos do Caminho, um pouco antes de terminar a forte pendente, antes da entrada na Galiza, que vi uma mensagem escrita num pedaço de papel, deixada pela Zelinda que dizia (mais ou menos) isto "Sérgio, Ramon, Cristiane, Patric, Hives,(...)estou bem, não se preocupem...!" Confesso que fiquei bem mais tranquilo...! Bons trilhos, muitas fontes a proporcionar momentos de pausa e algumas fotos, como por exemplo em O Canizo! A própria sinalética do Caminho tinha mudado na Galiza! Alguns marcos começaram a incluir a distância em km para Santiago! Às 12h30 chegava A Gudiña e pouco minutos depois ao albergue que ficava próximo da Estação de Comboios! Durante a tarde encontrei o primeiro peregrino, ou melhor, bicigrino português! Era do Porto e tinha começado o Caminho em Bragança! Como a etapa tinha sido curta, aproveitei para por em dia algumas tarefas domésticas, como por exemplo lavar e secar roupa e reforçar o stock de comida e bebida numa tienda ali perto! O jantar foi no albergue, uma muito bem recheada salada de tomate com atum, regada com cerveja Estrella Galicia! Depois do repasto liguei para casa para matar saudades e saber novidades!