quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Caminho de Pontevedra ao Salnês/Caminho Central: 08-10 - Vilanova de Arousa/Pontecesures/Teo










A manhã em Vilanova de Arousa foi tranquila, com chuva a espaços! Contudo 2 noticias mexeram um pouco com essa tranquilidade: recebemos a confirmação de que o barco não subiria o rio Ulla em virtude do mau tempo e acima de tudo do vento, seria o carro da Protecção Civil a deixar-nos em Pontecesures! Outra situação veio também mexer com o nosso quotidiano e em particular com o meu, foi o desaparecimento da minha máquina fotográfica! Após o pequeno-almoço apanhei boleia com o hospitaleiro que me deixou junto ao passadiço sobre o rio! A partir daí voltei a fazer todo o percurso até ao albergue, com alguma chuva. Nem sinal da máquina! Perguntei no café frente ao passadiço, perguntei aos hospitaleiros, passei o albergue a pente fino, com a ajuda da Ivone que também foi à Protecção Civil dar conta do sucedido! Nada! Tinha quase a certeza absoluta (99%) que a máquina fotográfica tinha chegado até ao albergue! Havia que manter a esperança! Mais tarde almoçámos num café em frente ao mercado municipal, um repasto à base de peixe fresco! Estávamos a começar a seguir os conselhos gastronómicos da Ivone! Regressámos ao albergue, arrumámos a "trouxa" e descemos ao encontro do nosso transporte até Pontecesures, não sei antes dar uma derradeira vista de olhos em busca da máquina perdida! Nada de novo! No entanto e num último assomo de esperança deixei todos os meus contactos na Protecção Civil! Partimos às 14h45 e às 15h30 recomeçámos a caminhar junto a uma Bomba de Gasolina, perto do Porto de Pontecesures! Pagámos 10 euros pela viagem ao simpático funcionário da Protecção Civil de Vilanova de Arousa, com a promessa de que voltaríamos um dia para subir o rio! À passagem por Padron verificámos com alguma tristeza que a igreja estava fechada! Parámos num bar para tomar algo e mais à frente visitámos e carimbámos a credencial na bonita igreja românica de Iria Flávia! Às 18h30 e com 14,6 km chegámos a Faramello, ao albergue municipal de Teo, com muitos peregrinos já instalados! Após o banho verifiquei que tinha 2 chamadas não atendidas no telemóvel, quando vi que o número era de Espanha, senti a esperança renascer dentro de mim, sentimento partilhado pelos meus companheiros de Caminho! Liguei de volta e tive a confirmação! A máquina aparecera, tinha sido entregue por um dos miúdos que tivera aulas no pavilhão desportivo no dia anterior, em boa hora tinha deixado os meus contactos! Graças a Santiago! Para não estar a voltar para trás, iriam mandar-ma pelo correio à cobrança! Gente boa, sem duvida, incluído o miúdo que tinha devolvido a máquina! Teríamos mesmo que voltar um dia! O jantar foi na Casa Javier, um repasto animado pela boa nova e pela aproximação a Santiago! Degustámos um mix de vários petiscos: filetes de cavala em azeite, pimentos de Padron, queijo, pão e vinho verde tinto! Por volta das 22h00 regressámos ao albergue para retemperar forças rumo à derradeira etapa! 

Fotos de António Carrasco

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Caminho de Pontevedra ao Salnês: 07-10 - Armenteira/Vilanova de Arousa























Tomámos o pequeno-almoço no albergue, os donuts com chá quente que nos preparou a Ivone! Saímos às 08h00 ainda com pouca luz, mas sem chuva, pese embora o céu continuar bastante fechado e muito cinzento, o que não augurava nada de bom! Os primeiros 7 km percorreram parte da "Rota da Pedra e da Água! Para mim o troço mais bonito de toda esta variante! Sempre com o rio Armenteira ao nosso lado, esta rota é constituída por antigos moinhos e canais de água que laboraram noutros tempos! Foi pena o tempo estar tão cinzento, ainda assim conseguiram-se belas fotos deste troço magnífico! A copa das árvores constitui uma verdadeira barreira à entrada da luz solar, o que de verão deve proporcionar uma caminhada bastante aprazível! Perto de Ribadumia parámos num bar/restaurante à beira da estrada para tomar café (a Ivone tomou sumo de laranja natural) e carimbar a credencial. Nas imediações de Pontearnelas passámos por uma casa com uma das paredes laterais completamente coberta de vieiras, que trabalho deveria ter dado aquela obra de arte! Em Pontearnelas desfrutámos de um almoço memorável, talvez um dos melhores refeições de todo o Caminho! A chuva apesar de não ter feito tanta mossa como na etapa anterior, ainda assim e mesmo a espaços ainda deu que fazer, pelo que aquela paragem para almoçar foi providencial! O ambiente era acolhedor, o repasto muito bem servido, as pessoas muito amáveis (em particular a senhora que nos pareceu ser a patroa), presenteou-nos com café "barraqueiro" (que saudades...) e xupitos de licor de café...! Enquanto nos carimbavam a credencial, ainda trocámos umas palavras com um simpático português de Macedo de Cavaleiros que ali morava desde os 14 anos e notava-se pelo sotaque! A abordagem a Vilanova de Arousa foi também inolvidável pela paisagem deslumbrante proporcionada pela Praia do Terron! Chegámos ao albergue (6,00 euros, no pavilhão desportivo) às 16h30, com 26,5 km palmilhados desde Armenteira! Internet de qualidade e gratuita (desde Marinhas/Esposende que tal não acontecia). As noticias que tinham para nós não eram as mais animadoras, o barco não deveria subir o rio mais por causa do vento do que da chuva, se subisse só seria de tarde (entre as 14h e as 15h), o que nos daria a manhã livre! Em última análise seria um carro da Protecção Civil a levar-nos a Pontecesures! Recomendaram-nos o café bar Reiz para jantar e não demos o tempo por mal empregue: pulpo à gallega e mexilhões, regado a preceito por um Albariño de beber e chorar por mais! Enquanto esperámos pela comida aproveitei para ligar para casa, matar saudades e por a conversa em dia. Às 23h30 recolhemos ao albergue e após uma breve passagem pela net, às 24h00 fomos dormir! 

Fotos de António Carrasco, Ivone Santos e Sérgio Cebola

domingo, 26 de outubro de 2014

Caminho Português Central (pela variante do Salnês): 06-10 - Pontevedra/Armenteira













Depois de deixarmos Pontevedra, às 08h00 da manhã, foram cerca de 3 km até apanharmos a Variante Espiritual do Caminho Português (Caminho de Pontevedra ao Salnês), e com a nossa entrada na variante chegou também a chuva e para ficar! Parámos de imediato para proteger o corpo e as mochilas! De inicio algo tímida, as gotas de água foram ganhando consistência à medida que progredíamos no terreno! Lembrei-me logo do Caminho Primitivo! Chegamos ao Mosteiro do Poio e parámos para nos abrigar um pouco da chuva, que nesta altura já não fazia que caia, tombava em bátegas fortes, apesar de não haver vento e da temperatura se manter amena! Fizemos uma pausa higiénica, carimbámos a credencial e pedimos algumas informações ao funcionário de serviço! Retomámos a jornada que se avizinhava pouco meiga por culpa da chuvada, pedi algumas informações num bar a seguir ao Mosteiro. Algum tempo depois, talvez 1h30 mais tarde, atravessámos a Praia de Pádron e a bonita localidade ribeirinha de Combarro, pena o tempo não ajudar, porque teríamos ficado um pouco mais e tirado muitas fotos! Ainda assim fizemos o que foi possível! A parte final do percurso (cerca de 7 km sempre a subir) para além de não ter serviços de apoio, ocorreu sempre pelo monte, sem locais onde nos pudéssemos abrigar, excepção feita a uma solitária paragem de autocarro, no meio de nenhures, onde parámos para sacudir a água, descansar um pouco e comer alguma coisa! Já perto das 2 horas da tarde começámos finalmente a descer, o que para nós foi um prenúncio de que estávamos perto do fim da etapa e por conseguinte perto de Armenteira! E assim foi, descemos por um trilho algo escorregadio, com algumas ameaças de queda, que no caso do António Carrasco foi mesmo a valer, ainda que nada de grave! Passei o meu bastão à Ivone e disse ao Carrasco que usasse o dele, o trilho e a muita lama escorregadia assim o exigia! Às 14h00 chegámos ao albergue de Armenteira (6,00 euros) às 14h00, que ficou por nossa conta! Após o "check in" e o banho retemperador, ligámos o aquecimento e um aquecedor para enxugar a roupa! Com as botas utilizámos o truque dos jornais que, a pouco e pouco, vão absorvendo a humidade! Depois fizemos uma refeição ligeira com o tudo o que tínhamos nas mochilas: pão, queijo, presunto, frutos secos, ovos moles, água e chá (que havia no albergue), nada mau mesmo! Para não irmos os 4 ao centro de Armenteira, até porque o Carrasco queria dar descanso ao pé que tinha torcido e a Ivone também preferiu ficar no albergue, eu e o António Ramos fomos em busca de mantimentos para o jantar e para o pequeno-almoço! Fomos ao restaurante que já viramos à entrada da povoação, perto do Mosteiro! Partilhámos uma tortilha e umas "canhas" e levámos 4 bocadillos, 1 tortilha, pão, vinho, donuts e um pouco de gelo, não fosse necessário para o amigo Carrasco! Por sorte não apanhámos chuva no nosso trajecto! Não faltou a habitual sesta retemperadora! Mais tarde desfrutámos do nosso jantar partilhado por entre uma amena cavaqueira, vantagens de termos o albergue só para nós, um espaço novo e com excelentes condições! Fomos dormir pouco depois das 22h00 com a esperança que o S. Pedro fizesse as pazes com o Santiago e nos desse algumas tréguas! Desta etapa fica o registo de 24 km, em que a média baixou um pouco, fruto da muita chuva e também do desnível acumulado! 

Fotos de Ivone Santos, António Carrasco e Sérgio Cebola