segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Caminho de Pontevedra ao Salnês: 07-10 - Armenteira/Vilanova de Arousa























Tomámos o pequeno-almoço no albergue, os donuts com chá quente que nos preparou a Ivone! Saímos às 08h00 ainda com pouca luz, mas sem chuva, pese embora o céu continuar bastante fechado e muito cinzento, o que não augurava nada de bom! Os primeiros 7 km percorreram parte da "Rota da Pedra e da Água! Para mim o troço mais bonito de toda esta variante! Sempre com o rio Armenteira ao nosso lado, esta rota é constituída por antigos moinhos e canais de água que laboraram noutros tempos! Foi pena o tempo estar tão cinzento, ainda assim conseguiram-se belas fotos deste troço magnífico! A copa das árvores constitui uma verdadeira barreira à entrada da luz solar, o que de verão deve proporcionar uma caminhada bastante aprazível! Perto de Ribadumia parámos num bar/restaurante à beira da estrada para tomar café (a Ivone tomou sumo de laranja natural) e carimbar a credencial. Nas imediações de Pontearnelas passámos por uma casa com uma das paredes laterais completamente coberta de vieiras, que trabalho deveria ter dado aquela obra de arte! Em Pontearnelas desfrutámos de um almoço memorável, talvez um dos melhores refeições de todo o Caminho! A chuva apesar de não ter feito tanta mossa como na etapa anterior, ainda assim e mesmo a espaços ainda deu que fazer, pelo que aquela paragem para almoçar foi providencial! O ambiente era acolhedor, o repasto muito bem servido, as pessoas muito amáveis (em particular a senhora que nos pareceu ser a patroa), presenteou-nos com café "barraqueiro" (que saudades...) e xupitos de licor de café...! Enquanto nos carimbavam a credencial, ainda trocámos umas palavras com um simpático português de Macedo de Cavaleiros que ali morava desde os 14 anos e notava-se pelo sotaque! A abordagem a Vilanova de Arousa foi também inolvidável pela paisagem deslumbrante proporcionada pela Praia do Terron! Chegámos ao albergue (6,00 euros, no pavilhão desportivo) às 16h30, com 26,5 km palmilhados desde Armenteira! Internet de qualidade e gratuita (desde Marinhas/Esposende que tal não acontecia). As noticias que tinham para nós não eram as mais animadoras, o barco não deveria subir o rio mais por causa do vento do que da chuva, se subisse só seria de tarde (entre as 14h e as 15h), o que nos daria a manhã livre! Em última análise seria um carro da Protecção Civil a levar-nos a Pontecesures! Recomendaram-nos o café bar Reiz para jantar e não demos o tempo por mal empregue: pulpo à gallega e mexilhões, regado a preceito por um Albariño de beber e chorar por mais! Enquanto esperámos pela comida aproveitei para ligar para casa, matar saudades e por a conversa em dia. Às 23h30 recolhemos ao albergue e após uma breve passagem pela net, às 24h00 fomos dormir! 

Fotos de António Carrasco, Ivone Santos e Sérgio Cebola

domingo, 26 de outubro de 2014

Caminho Português Central (pela variante do Salnês): 06-10 - Pontevedra/Armenteira













Depois de deixarmos Pontevedra, às 08h00 da manhã, foram cerca de 3 km até apanharmos a Variante Espiritual do Caminho Português (Caminho de Pontevedra ao Salnês), e com a nossa entrada na variante chegou também a chuva e para ficar! Parámos de imediato para proteger o corpo e as mochilas! De inicio algo tímida, as gotas de água foram ganhando consistência à medida que progredíamos no terreno! Lembrei-me logo do Caminho Primitivo! Chegamos ao Mosteiro do Poio e parámos para nos abrigar um pouco da chuva, que nesta altura já não fazia que caia, tombava em bátegas fortes, apesar de não haver vento e da temperatura se manter amena! Fizemos uma pausa higiénica, carimbámos a credencial e pedimos algumas informações ao funcionário de serviço! Retomámos a jornada que se avizinhava pouco meiga por culpa da chuvada, pedi algumas informações num bar a seguir ao Mosteiro. Algum tempo depois, talvez 1h30 mais tarde, atravessámos a Praia de Pádron e a bonita localidade ribeirinha de Combarro, pena o tempo não ajudar, porque teríamos ficado um pouco mais e tirado muitas fotos! Ainda assim fizemos o que foi possível! A parte final do percurso (cerca de 7 km sempre a subir) para além de não ter serviços de apoio, ocorreu sempre pelo monte, sem locais onde nos pudéssemos abrigar, excepção feita a uma solitária paragem de autocarro, no meio de nenhures, onde parámos para sacudir a água, descansar um pouco e comer alguma coisa! Já perto das 2 horas da tarde começámos finalmente a descer, o que para nós foi um prenúncio de que estávamos perto do fim da etapa e por conseguinte perto de Armenteira! E assim foi, descemos por um trilho algo escorregadio, com algumas ameaças de queda, que no caso do António Carrasco foi mesmo a valer, ainda que nada de grave! Passei o meu bastão à Ivone e disse ao Carrasco que usasse o dele, o trilho e a muita lama escorregadia assim o exigia! Às 14h00 chegámos ao albergue de Armenteira (6,00 euros) às 14h00, que ficou por nossa conta! Após o "check in" e o banho retemperador, ligámos o aquecimento e um aquecedor para enxugar a roupa! Com as botas utilizámos o truque dos jornais que, a pouco e pouco, vão absorvendo a humidade! Depois fizemos uma refeição ligeira com o tudo o que tínhamos nas mochilas: pão, queijo, presunto, frutos secos, ovos moles, água e chá (que havia no albergue), nada mau mesmo! Para não irmos os 4 ao centro de Armenteira, até porque o Carrasco queria dar descanso ao pé que tinha torcido e a Ivone também preferiu ficar no albergue, eu e o António Ramos fomos em busca de mantimentos para o jantar e para o pequeno-almoço! Fomos ao restaurante que já viramos à entrada da povoação, perto do Mosteiro! Partilhámos uma tortilha e umas "canhas" e levámos 4 bocadillos, 1 tortilha, pão, vinho, donuts e um pouco de gelo, não fosse necessário para o amigo Carrasco! Por sorte não apanhámos chuva no nosso trajecto! Não faltou a habitual sesta retemperadora! Mais tarde desfrutámos do nosso jantar partilhado por entre uma amena cavaqueira, vantagens de termos o albergue só para nós, um espaço novo e com excelentes condições! Fomos dormir pouco depois das 22h00 com a esperança que o S. Pedro fizesse as pazes com o Santiago e nos desse algumas tréguas! Desta etapa fica o registo de 24 km, em que a média baixou um pouco, fruto da muita chuva e também do desnível acumulado! 

Fotos de Ivone Santos, António Carrasco e Sérgio Cebola

Caminho Português da Costa (enlace com o Caminho Central): 05-10 - Redondela/Pontevedra














Etapa curta e muito tranquila! Logo no inicio e na saída de Pontevedra, perdemos uma seta amarela (que nos tirava da EN-550) e tivemos que voltar atrás, com a ajuda de uma senhora que passou por nós, rapidamente nos pusemos no Caminho certo! Paramos em Arcade para tomar café e carimbar a credencial! Para mim foi o revisitar locais pelos quais havia passado em 2011 (Caminho Central desde o Porto)! Em Vilaboa visitámos a Capela de S. Marta (1617), foi um momento de reflexão e de contemplação, os nossos amigos carimbaram a credencial! À passagem por Pontesampaio, onde existe uma forte ligação às invasões francesas, parámos numa fonte para nos refrescar e encher os cantis. Chegámos a Pontevedra às 13h00, mesmo à hora da abertura do albergue (6,00 euros): Registá-mo-nos e recolhemos alguma informação sobre a variante do Salnês! Tomámos banho, eu e o António Ramos lavámos e secámos roupa, de seguida fomos até ao restaurante da Estação de Comboios de Pontevedra (que tinha menú peregrino), onde almoçámos na sua tranquila e muito aprazível esplanada! Regressámos ao albergue para uma sesta retemperadora! Mais tarde jantámos mesmo frente ao albergue na "Casa da Avoa", menu peregrino bem regado com vinho verde tinto (daquele que deixa marcas em todo o lado...eheheh). Mais tarde partilhámos um momento de descanso na sala de estar do albergue, onde travámos conversa com um massagista português (da Madeira) que fazia massagens no albergue, depois fomos dormir! Algumas notas desta etapa, 19 km, entrada no Caminho Central, mais peregrinos e alguns portugueses e a internet móvel da Ivone que nos estava a dar noticias nada auspiciosas: chuva no horizonte!

Fotos de Ivone Santos, António Carrasco e Sérgio Cebola