domingo, 26 de outubro de 2014

Caminho Português Central (pela variante do Salnês): 06-10 - Pontevedra/Armenteira













Depois de deixarmos Pontevedra, às 08h00 da manhã, foram cerca de 3 km até apanharmos a Variante Espiritual do Caminho Português (Caminho de Pontevedra ao Salnês), e com a nossa entrada na variante chegou também a chuva e para ficar! Parámos de imediato para proteger o corpo e as mochilas! De inicio algo tímida, as gotas de água foram ganhando consistência à medida que progredíamos no terreno! Lembrei-me logo do Caminho Primitivo! Chegamos ao Mosteiro do Poio e parámos para nos abrigar um pouco da chuva, que nesta altura já não fazia que caia, tombava em bátegas fortes, apesar de não haver vento e da temperatura se manter amena! Fizemos uma pausa higiénica, carimbámos a credencial e pedimos algumas informações ao funcionário de serviço! Retomámos a jornada que se avizinhava pouco meiga por culpa da chuvada, pedi algumas informações num bar a seguir ao Mosteiro. Algum tempo depois, talvez 1h30 mais tarde, atravessámos a Praia de Pádron e a bonita localidade ribeirinha de Combarro, pena o tempo não ajudar, porque teríamos ficado um pouco mais e tirado muitas fotos! Ainda assim fizemos o que foi possível! A parte final do percurso (cerca de 7 km sempre a subir) para além de não ter serviços de apoio, ocorreu sempre pelo monte, sem locais onde nos pudéssemos abrigar, excepção feita a uma solitária paragem de autocarro, no meio de nenhures, onde parámos para sacudir a água, descansar um pouco e comer alguma coisa! Já perto das 2 horas da tarde começámos finalmente a descer, o que para nós foi um prenúncio de que estávamos perto do fim da etapa e por conseguinte perto de Armenteira! E assim foi, descemos por um trilho algo escorregadio, com algumas ameaças de queda, que no caso do António Carrasco foi mesmo a valer, ainda que nada de grave! Passei o meu bastão à Ivone e disse ao Carrasco que usasse o dele, o trilho e a muita lama escorregadia assim o exigia! Às 14h00 chegámos ao albergue de Armenteira (6,00 euros) às 14h00, que ficou por nossa conta! Após o "check in" e o banho retemperador, ligámos o aquecimento e um aquecedor para enxugar a roupa! Com as botas utilizámos o truque dos jornais que, a pouco e pouco, vão absorvendo a humidade! Depois fizemos uma refeição ligeira com o tudo o que tínhamos nas mochilas: pão, queijo, presunto, frutos secos, ovos moles, água e chá (que havia no albergue), nada mau mesmo! Para não irmos os 4 ao centro de Armenteira, até porque o Carrasco queria dar descanso ao pé que tinha torcido e a Ivone também preferiu ficar no albergue, eu e o António Ramos fomos em busca de mantimentos para o jantar e para o pequeno-almoço! Fomos ao restaurante que já viramos à entrada da povoação, perto do Mosteiro! Partilhámos uma tortilha e umas "canhas" e levámos 4 bocadillos, 1 tortilha, pão, vinho, donuts e um pouco de gelo, não fosse necessário para o amigo Carrasco! Por sorte não apanhámos chuva no nosso trajecto! Não faltou a habitual sesta retemperadora! Mais tarde desfrutámos do nosso jantar partilhado por entre uma amena cavaqueira, vantagens de termos o albergue só para nós, um espaço novo e com excelentes condições! Fomos dormir pouco depois das 22h00 com a esperança que o S. Pedro fizesse as pazes com o Santiago e nos desse algumas tréguas! Desta etapa fica o registo de 24 km, em que a média baixou um pouco, fruto da muita chuva e também do desnível acumulado! 

Fotos de Ivone Santos, António Carrasco e Sérgio Cebola

Caminho Português da Costa (enlace com o Caminho Central): 05-10 - Redondela/Pontevedra














Etapa curta e muito tranquila! Logo no inicio e na saída de Pontevedra, perdemos uma seta amarela (que nos tirava da EN-550) e tivemos que voltar atrás, com a ajuda de uma senhora que passou por nós, rapidamente nos pusemos no Caminho certo! Paramos em Arcade para tomar café e carimbar a credencial! Para mim foi o revisitar locais pelos quais havia passado em 2011 (Caminho Central desde o Porto)! Em Vilaboa visitámos a Capela de S. Marta (1617), foi um momento de reflexão e de contemplação, os nossos amigos carimbaram a credencial! À passagem por Pontesampaio, onde existe uma forte ligação às invasões francesas, parámos numa fonte para nos refrescar e encher os cantis. Chegámos a Pontevedra às 13h00, mesmo à hora da abertura do albergue (6,00 euros): Registá-mo-nos e recolhemos alguma informação sobre a variante do Salnês! Tomámos banho, eu e o António Ramos lavámos e secámos roupa, de seguida fomos até ao restaurante da Estação de Comboios de Pontevedra (que tinha menú peregrino), onde almoçámos na sua tranquila e muito aprazível esplanada! Regressámos ao albergue para uma sesta retemperadora! Mais tarde jantámos mesmo frente ao albergue na "Casa da Avoa", menu peregrino bem regado com vinho verde tinto (daquele que deixa marcas em todo o lado...eheheh). Mais tarde partilhámos um momento de descanso na sala de estar do albergue, onde travámos conversa com um massagista português (da Madeira) que fazia massagens no albergue, depois fomos dormir! Algumas notas desta etapa, 19 km, entrada no Caminho Central, mais peregrinos e alguns portugueses e a internet móvel da Ivone que nos estava a dar noticias nada auspiciosas: chuva no horizonte!

Fotos de Ivone Santos, António Carrasco e Sérgio Cebola 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Caminho Português da Costa: 04-10 - O Freixo/Redondela








Uma noite mal dormida, agitada, com sonhos à mistura e com as picadas a provocarem algum desconforto durante a noite! Mochilas arrumadas, pequeno-almoço tomado, às 07h45 abandonámos o Refugio de O Freixo, deixámos as chaves na caixa de correio (já começava a ser um hábito...). Foi pouco mais de 1 hora, sempre a descer, até à enorme cidade de Vigo! Logo na entrada perguntámos pelo hospital mais perto a pé, um senhor muito simpático e muito prestável deu-nos as instruções necessárias para o "ambulatório" mais próximo! Teríamos que continuar pela Avenida da Florida e antes do Bingo teríamos que virar à esquerda, aí iríamos apanhar um caminho estreito mas que nos levaria mais rapidamente ao nosso destino! E assim foi! Dirigi-me à recepção e fui prontamente atendido, esperei cerca de 15 minutos e fui de imediato visto por uma simpática médica dermatologista! Disse-me que não era psoríase e explicou-me porquê, confirmou-me que o mais provável era ser mesmo picadas de insectos ou (mas menos provável) uma alergia de contacto com algum tipo de vegetação. Disse-me que teria que me "pinchar" e para abrir a pestana uma enfermeira "pinchou-me" com uma injecção de cada lado! Foram-me receitados comprimidos de cortizona de 30 mg com uma prescrição para seguir à risca e que deveria continuar a tomar os comprimidos anti-histamínicos e por pomada nas manchas maiores! Foi-me também passada uma 2ª receita, caso não melhorasse com a cortisona. A médica também me disse que poderia continuar a caminhar, embora pudesse sentir mais sonolência, resultado do tratamento! Escusado será dizer que fiquei naturalmente mais aliviado e mais tranquilo! Pus o amigo António Ramos (que entretanto aproveitara para tomar o pequeno-almoço) a par da situação, fui comprar os comprimidos numa farmácia perto do hospital, tomei o pequeno-almoço, para forrar o estômago antes de tomar qualquer químico! Retomámos o Caminho junto ao Estádio dos Balaídos às 11h00 da manhã! Graças ao guia que fiz com as excelentes informações do Luís Freixo, não foi nada complicado continuar em direcção a Redondela. Passámos a ponte sobre o rio Lagares e continuamos sempre ao lado do rio até ao Parque dos Castrelos, aqui estava a decorrer uma corrida de cães muito animada. Algum tempo depois chegámos ao animado e muito concorrido Bairro do Calvário, parámos na igreja da Imaculada Conceição, carimbámos a credencial e o pároco disse-nos que tínhamos 12 km até Redondela. Até ao nosso destino final de jornada seguimos pelo magnifico caminho da Traída da Águas que nos levou praticamente até às imediações de Redondela. Às 15h00 e cerca de 23 km depois, regista-mo-nos no albergue público (6,00 euros) e fomos almoçar menu do peregrino (com caldo galego) num restaurante que ficava no Caminho Central, de onde começaram a surgir muitos pereginos, com seria de esperar, mal se chegasse a Redondela. Soube através de mensagem que os nossos amigos Carrasco e Ivone tinham chegado bem a Vigo, às 16h30, aconselhei-os anão se fazerem ao Caminho, pela hora tardia e porque já teriam poucas horas de luz e, mesmo pela estrada nacional, ainda seria um esticão, mandava o bom senso que viessem de autocarro, nos dias seguintes iriam concerteza "matar" a "fome" de caminhar! Chegaram por volta das 17h30, o António Ramos acabou por encontrá-los a caminho do albergue! Após as saudações e de termos colocado alguma conversa em dia, os nossos amigos instalaram-se, fomos dar um passeio pela cidade e tomar umas "canhas" numa esplanada convidativa! Mais tarde desfrutámos de um verdadeiro jantar peregrino na muito modesta cozinha do albergue, presunto, fiambre, enchidos, pão e fruta, que eu e o Ramos comprámos de tarde, ao que juntámos o néctar dos Deuses tinto "Terras de Nisa" e um queijo de Nisa também! Como a Ivone é vegetariana comeu uma sandes de atum que comprara na viagem, provou também o queijo, a fruta e, claro, o tinto dos Deuses! Durante o jantar tivemos a companhia de um peregrino muito simpático, o alemão Wolfgang, que falava um pouco português graças a uns amigos de Moçambique. Começara o Caminho em Lisboa e falou-nos muito bem da hospitalidade portuguesa! Partilhámos com ele as nossas iguarias e ele ofereceu-nos chocolate, o Caminho no seu melhor! Desta etapa ficam 2 notas de rodapé: a chegada dos nossos amigos e o fim do Caminho da Costa! A partir daqui seria Caminho Central, Salnês e Central!

Fotos 4, 6 e 7, de Ivone Santos