segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

E o Caminho depois do Caminho...?


Confesso que ando há bastante tempo, há tempo demais talvez, para ver se consigo arranjar alento e motivação para escrever algumas linhas sobre esta temática. Confesso igualmente que, até o amigo Acácio (do Refugio Acácio&Orietta) ter partilhado comigo (e com os meus companheiros de jornada), a sua sábia opinião sobre este assunto, achava eu que era um problema só meu, a integração na designada vida real após o regresso da longa peregrinação, o Caminho depois do Caminho! Foi no saudoso dia 28 de Abril de 2013 que tivemos o previlégio (entretanto vindos do Caminho Aragonês) de ficarmos alojados no acolhedor Refugio do simpático casal Acácio&Orietta, em Viloria de Rioja, já no Caminho Francês!
 
Durante a amena tertúlia que encetámos durante a tarde, o Acácio lançou para o centro da conversa, precisamente, esse terrível sentimento que assola o peregrino depois da travessia, um sentimento de imenso vazio (acho que foi mais ou menos desta maneira que me senti da primeira vez que terminei o Caminho...sensação que se vem repetindo...pelo menos no fim dos Caminhos mais longos...), sentimento sobre o qual há tanto para dizer e muito pouco se tem falado ou escrito! Foi, no essencial, isto que depreendemos das palavras do amigo Acácio, que existe muita informação sobre a preparação para o Caminho, mas muito pouco ou quase nada (pelo menos que eu conheça...) sobre a (re)integração do peregrino após a peregrinação! Pelo que percebi da abordagem do Acácio a este assunto, ele próprio através do seu papel no Refugio, falou com peregrinos sobre esta temática, numa tentativa de conforto de espirito, diria eu! Acho que este seria um muito bom exemplo a seguir por todas as entidades/associações que se dedicam ao Caminho, de entre outras valências, proporcionar a todos os peregrinos, através de um forum, a partilha de sentimentos e de experiências do pós-Caminho, facultando-lhes, por conseguinte, a respetiva orientação.
 
Quantos de nós não sentimos já, associada aquele sentimento de imenso vazio interior, aquela vontade incontrolável de contar a todos, familiares e amigos, a nossa experiência...! Talvez seja esta nostalgia,-qual sentimento de perda-, que faça com que queiramos, de forma quase avassaladora, regressar de novo ao Caminho (pelo menos comigo tem tido esse efeito...), é viciante e contagiante...! Portanto em jeito de desafio, deixo o repto para que as entidades/associações da especialidade se debrucem sobre o assunto em apreço, acho que será uma mais valia para todos os peregrinos e futuros peregrinos! Entretanto e porque não consigo estar muito tempo ausente (lá está o tal sentimento de vazio, da falta de algo...) já me encontro a preparar e a programar os próximos Caminhos...é incontornável...não há volta a dar-lhe...!

Foto de Manuel Correia (Finisterra, Galiza, o fim do Caminho)

domingo, 29 de dezembro de 2013

Comité de Restauração do Santuário da Barca de Muxía



As pessoas/entidades que solicitaram um número de conta para poder participar/colaborar na restauração do Santuário da Barca em Muxía, poderão fazê-lo através de um dos seguintes números de conta:

BANCO SANTANDER:
C.C.C:0049-2895-15-2594005460
IBAN ES47-0049-2895-1525-9400-5460

NOVAGALICIABANCO:
C.C.C:2080-0078-47-3040007197
IBAN: ES83-2080-0078-4730-4000-7197


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Ardeu um dos mais importantes monumentos do Caminho de Santiago, na Galiza!



A Igreja da Virgem da Barca, em Muxía, foi consumida pelo fogo em duas horas, no dia de Natal.

A proximidade do mar não a salvou. A mítica igreja da Virgem da Barca, situada num promontório do município de Muxía, na Costa da Morte, foi gravemente danificada por um incêndio, no dia de Natal. A perda para o património da Galiza, e para todos os que, no Caminho de Santiago, se cruzaram com este templo associado às lendas do apóstolo, é tão grande, que o Governo Regional galego prometeu, de imediato, fazer todos os esforços para reconstruir o monumento cuja abóbada e muros se salvaram, ao contrário de todo o seu interior.

Um raio, acreditam os bombeiros, poderá ter estado na origem do incêndio, que se terá propagado de um disjuntor para a sacristia, uma das áreas mais danificadas. O retábulo principal do templo, segundo o jornal La Voz da Galicia, foi completamente destruído e, durante duas horas, o fogo afetou quase toda a arte sacra do interior da igreja barroca que se acredita ter sido construída no local de uma antiga capela, no local onde, na Idade Média, fora encontrada uma imagem da Virgem.

Esta quinta-feira, o presidente do Governo Regional da Galiza, vários conselheiros e autarcas da região estiveram no local, e Nunes Feijóo comprometeu-se a lançar rapidamente o concurso para a reconstrução do templo, de grande importância cultural e religiosa para o Caminho de Santiago e para pescadores e marinheiros do Noroeste peninsular. Mas neste momento os técnicos da área do património e da proteção civil estão preocupados em garantir que, num período de chuvas fortes na região, a abóbada se mantenha de pé.

A construção da atual igreja da Virgem da Barca, concluída no século XVIII, está ligada ao mito homónimo, segundo o qual a virgem, transportada numa barca de pedra, terá aparecido ao apóstolo São Tiago, que ali, naquele mesmo promontório, descansava, desanimado, duvidando das suas capacidades para converter os habitantes locais ao cristianismo. Acredita-se que as pedras da barca estão no local, e que foi sob uma delas que a imagem apareceu, mais tarde. Conta-se que lhe foi construída uma capela na vila, mas que a Vigem desapareceu dali, reaparecendo no local original, onde, desde então, se lhe presta culto. O promontório é ponto de passagem do Caminho de Santiago, na rota de Finisterra.

Texto: www.publico.pt
Imagem: www.jn.pt