sexta-feira, 19 de julho de 2013

Carta do Pedro Frade aos peregrinos de Nisa!


Não poderia encerrar o capítulo do Caminho Aragonês sem agradecer a simpatia e a cordialidade de 2 pesssoas, do Luis Ferreira que, à data da nossa chegada a Santiago, prestava trabalho voluntário no albergue Fin del Camino! Por diversos motivos que se prenderam com a logística da nossa chegada, não foi possível, como era nosso desejo, visitar e cumprimentar o Luis! Renovo a promessa de que o farei num próximo evento! A segunda pessoa a quem queria agradecer chama-se Pedro Frade, é de Nisa apesar de não morar em Nisa e chegou a Santiago no dia 14 de Maio, vindo do Caminho Português, ficou no albergue Fin del Camino! O Luis disse-lhe que estava para chegar também um grupo de peregrinos de Nisa! Na inpossibilidade de nos contactar diretamente, o Pedro deixou-nos a seguinte carta que passo a transcrever:

" 14.05.2013...No Caminho fui encontrando muita gente, mas portugueses coisa rara. Um padre que partilhou alguns passos comigo disse "santos da casa não fazem milagres" está tudo dito, Caminho Português só para gente de fora...Neste abrigo do "fim do Caminho" fui informado que afinal de Nisa chegava o Cebola+3. Qual o meu espanto! Será o Cebola que tem cavalos e que um dia fez uma atividade para a Cercizimbra para pessoas com necessidades especiais que estavam na Casa do Frade? Ser ou não ser..., o que sei é que é gente da minha terra, naturalmente gente boa.

Bom Caminho peregrinos,
Pedro Frade"

P.S. - Existem algumas famílias de apelido Cebola em Nisa, que na origem deveriam ser só uma, mas que foram dando origem a famílias diferentes. O Cebola  a quem o amigo Pedro se refere será certamente um dos filhos do José Augusto Cebola (infelizmente já falecido) que, tanto quanto sei, desenvolve algumas atividades equestres. Por coincidência moramos na mesma rua em Nisa!

Ao Luis e ao Pedro votos de Bom Caminho e que nos possamos encontrar num futuro próximo!

terça-feira, 16 de julho de 2013

Tributo aos Amigos do Caminho Aragonês/Francês/Múxia-Fisterra

William

Acacio&Orietta 

Odair&Amadeu

Stephanie

José Ramon

Sabine

Gilles&Vanessa

Araceli

Davi&Antonni

Erwin

Euler 

Esteban

Philippe

E a todos aqueles que, por um ou outro motivo, não conseguimos registar em foto! 33 dias e muitos amigos que perdurarão sempre na nossa lembrança! A amizade, a cumplicidade, a partilha...coisas do Caminho e que só a magia do Caminho torna possível!

Fotos de: Alexandre Bittar, Amadeu Neto, António Delfino, Leonel Gomes e Manuel Correia

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Epílogo do Caminho Aragonês/Francês: Santiago/Múxia/Finisterra

Dia 18 de Maio: Etapa 1, Santiago - Vilaserio

À hora do costume deixámos Santiago rumo a Vilaserio, com 35 km de distância para percorrer! Bebemos café com leite e comemos chocolate na Casa Pancho em Trasmonte, onde também aproveitámos para carimbar a credencial! O habitual grupo de 4 passou a 8, com a presença do António Pimpão, do Manuel Correia, do Rosalino Castro e do Philipe, um simpático peregrino francês que conhecemos no albergue de Pedrouzo (acho que o Delfino já tinha falado com ele um pouco antes de Pedrouzo)! Às 12h00 parámos em Negreira para fazer as habituais compras do almoço, num supermercado! Com a cortesia da simpática hospitaleira, utilizámos as instalações do albergue municipal de Negreira para almoçar! O Pimpão trouxe de Nisa várias iguarias: 2 garrafas de tinto Terras de Nisa (oferta do amigo Ricardo Reizinho), empadas (oferta da amiga Cruz Semedo), um bucho de morcela (oferta do amigo João Maria Manso) e um queijo de Nisa (oferta da amiga Graça Louro). Às 16h20 chegámos a Vilaserio, só não ficámos no albergue da antiga escola porque não tinha água quente, eu próprio fui até lá confirmar! Acabámos por ficar no albergue privado o Rueiro por 12 euros (valor que nos pareceu um pouco exagerado comparativamente com outros onde já tinhamos ficado...). O jantar foi no bar do albergue, pratos combinados por 6 euros.




19 de Maio: Etapa 2, Vilaserio - Dumbria

Às 06h55 começámos a caminhar com uma ligeira neblina matinal. Logo depois de Maroñas segui sózinho até Olveiroa (o resto da rapaziada pararam num bar junto à estrada para comer algo). Cheguei com 1 hora de avanço. Chegou o Philipe e logo depois os restante grupo. Gostei e senti-me bem ao fazer este trecho em solitário! Cruzei-me com 3 peregrinos até Olveiroa! A paragem ocorreu no albergue Hórreo (privado). bebi um copo de tinto, comi uns frutos secos (que partilhei com o Philipe) e carimbei a credencial. Antes de Hospital tivemos que esperar  pelo Delfino, Leonel e o Philipe que se equivocaram com umas setas e sairam do itinerário principal. Às 15h25 chegámos ao albergue municipal de Dumbria, com aspecto de novo, excelentes instalações e o melhor de tudo: só para nós...eheheh...! Durante o resto da tarde demos um passeio por Dumbria, fomos às compras para o jantar no albergue. No bar do mesmo proprietário do supermercado comemos calamares, tortilha e bebemos umas "canhas". Aproveitei para comprar também pão, fiambre, bolos e sumo para a manhã seguinte. Às 19h30 jantámos todos no albergue: macarrão com molho de tomate (paa repor os hidratos de carbono...eheheh...!), salada mista e macedónia de frutas! O Alexandre preparou o parto principal e a restante equipa colaborou nos preparativos e na confecção da macedónia de frutas! O Philipe o fereceu os cafés! Etapa de 31 km.





20 de Maio: Etapa 3, Dumbria - Múxia

Não sou muito apologista de verdades absolutas nem de dados adquiridos, mas, ainda assim, não resisto a eleger esta etapa como, talvez, a mais bonita de todo o Caminho! Foi percorrida entre as 07h05 e as 12h00, ao longo de 23,4 km! Trilhos de bosque muito bonitos, tempo execelente, paisagens bucólicas até perder de vista e com o mar sempre ao nosso lado! A vista que se alcança sobre Múxia após a descida de Moraime, é qualquer coisa de inenarrável! Em Merexo efectuei uma pausa com o Alexandre para retemperar forças e para o Alex colocar roupa mais fresca (foi a primeira vez que caminhou de calções...eheheh...!). O avistamento de Múxia proporcionou-nos fotografias de rara beleza! Como o albergue municipal só abria àa 13h00, fomos até ao bar O Xardín, onde já tinhamos almoçado em 2010, para beber umas fresquíssimas Estrella Galicia 1906 com umas tapas muito apetitosas! O Alex telefonou para casa! Partilhámos uma conversa muito agradável ao longo de 1 hora de merecido descanso! Levantámos a Muxiana no albergue. Depois das 16h00 fomos até à igreja da Virgem da Barca e ao Mirador do Corpiño! Mais uns momemtos a proporcionarem excelentes fotos! Molhei os pés e lavei a cara na (gelada) água da Costa da Morte! Contemplei o horizonte! Estava rodeado de montes de mexilhões agarrados às rochas!Voltámos a confecionar um jantar comunitário no albergue, o Alexandre já há muito tinha prometido um rizzoto, acompanhado de salada mista e macedónia de frutas! Tivemos uma convidada de última hora, uma peregrina canadiana, a Lisa que partilhou connosco uma excelente "botella" de tinto da Rioja! Antes do recolher, bebemos café e xupito no bar O Xardín.









21 de Maio: Etapa 4, Múxia - Finisterra

Entre as 07h00 e as 14h00 palmilhámos os últimos 30 km do Caminho! Por sinal os mais mal sinalizados quer no sentido Múxia-Finisterra quer no sentido Finisterra-Múxia! Já em 2010 tivemos manifestas dificuladades por causa da deficiente sinalização deste troço! Realizámos uma paragem para reforçar o "desayuno" no bar As Eiras, um pouco antes de Lires! Carimbámos as credenciais e cruzámo-nos com um bicigrino português, acho que era da zona do Porto! A ribeira de Lires já tem uma ponte (já tinhamos essa informação...), pelo que desta feita a travessia foi menos atribulada do que em 2010...eheheh...! Ao chegarmos a Finisterra fomos logo ao albergue municipal levantar a Finisterrana! Depois fomos até ao já nosso "velho conhecido" hotel Âncora, do nosso amigo galego Manoel! Ficou radiante de nos ver regressar e nos também de o revermos radiante e de boa saúde! Com o check-in feito, fomos comprar comes&bebes para festejarmos a rigor no Cabo do Farol Finisterra...Faltavam apenas 3,5 km para o marco com o km 0 do Caminho! Eu fiz parte daqueles que quiseram subir com a mochila! A chegada ao farol é também (a par da chegada a Santiago ou à Cruz de Ferro) um momento sempre especial! Cumprimos os rituais da fogueira e da queima da roupa! Comemos, bebemos e brindámos! De regresso ao hotel, tomámos banho e descansámos! Às 20h00 um excelente jantar no restaurante do hotel: mista de peixe grelhado e uma "parrilada" de marisco! O Manoel ofereceu o vinho...albariño...pois claro! Foi um repasto completíssimo! Perto da hora do por-do-sol o Manoel deu-nos boleia até ao Farol, era o momento derradeiro da nossa peregrinação...da pereginação de todos...ao fim e ao cabo...! A sensação é indiscritivel e inenarrável! Parafraseando (uma vez mais) o meu amigo Alexandre "só metendo uma mochila às costas e sentir na pele o que se sente nestes momentos!". Não poderia estar mais de acordo! Após o momento mágico deste por-do-sol, regressámos pelo nosso pé a Finisterra! Um passeio noturno pelos bares, uma bebida antes do recolher ao hotel (houve quem prolongasse o périplo pelos bares...eheheh...!), sem problemas de maior, a nossa missão terminara!!!








Fotos de António Delfino e de Manuel Correia