domingo, 13 de maio de 2012

Caminho Primitivo: Dia 9 (22 de Abril: San Roman de Retorta - Melide)


Às 08h00 da manhã tomámos o pequeno-almoço no albergue, composto por um reconfortante café com leite e bolos! Às 08h20 e após uma foto de grupo saímos para a última etapa do Caminho Primitivo, pois era precisamente esta etapa que fazia a ligação ao Caminho Francês! O primeiro troço do Caminho até Ponte Ferreira ocorre por uma antiga via romana, também ela sinalizada com setas amarelas, que encurta o Caminho em cerca de 2 km (contas redondas...). Fizemos uma paragem no novíssimo albergue de Ponte Ferreira (abrira há cerca de 1 mês) para beber café e carimbar a credencial e acabámos também por tirar mais uma fotografia de grupo! O hospitaleiro era também muito simpático e bastante prestável! Atravessámos, em seguida, um troço de Caminho muito interessante junto a umas ventoinhas eólicas com o que me pareceu ser um maciço de quartzito à nossa direita, que crescia imponente à medida que nos acercávamos dele! Às 15h00 e a cerca de 5 km de Melide, parámos em Vilamor para almoçar (o 2º almoço digno desse nome em todo o Caminho...)! Às 16h45 chegávamos a Melide, com alguma chuva logo na saída de Vilamor, mas que foi parando à medida que nos aproximávamos do nosso destino! Ficava assim consumada a ligação ao Caminho Francês e terminava o Primitivo depois de 9 jornadas intensas! Registámos o momento com uma foto de grupo junto ao último marco do Caminho Primitivo, que distava 54,349 metros de Santiago de Compostela! Ficámos instalados no albergue municipal pelos habituais 5 euros (há 2 anos ficámos num albergue provisório...). Jantámos o inevitável "pulpo" (polvo) de Melide e precisamente na mesma casa (Pulperia A Garnacha) e na mesma mesa de há 2 anos! Seriam 22h15 quando actualizei este meu Diário no "comedor" do albergue, poucos minutos depois da hospitaleira ter trancado a porta por dentro encerrado assim o acolhimento a peregrinos por aquela noite! O Pimpão estava comigo e em boa hora por ali ficámos, pois acabámos por salvar a noite a uma peregrina que se atrasara e que apanhou o albergue já "cerrado"! Bateu no vidro da janela e fez-nos sinal, algo ansiosa, para lhe abrirmos a porta! Visivelmente aliviada, agradeceu-nos imenso, chamava-se Rosa era de Málaga e estava a fazer o Caminho Francês desde León, em solitário, quis-me parecer! Jovem corajosa! Já não era a primeira que encontrávamos nesta condição de peregrina! Pediu-me se podia ir comprar um gelado, disse-lhe para "se quedar tranquila" que eu iria ficar por ali mais algum tempo a escrever e que lhe abriria a porta sem problema. Demorou pouco tempo, julgo até que foi o Pimpão que lhe abriu a porta! Faltavam-nos 2 jornadas para Santiago e pareceu-nos que o tempo estava, lentamente, a querer mostrar melhoras! Nesta etapa percorremos 29,8 km, um pouco menos do que o previsto, graças ao troço da via romana entre San Roman de Retorta e Ponte Ferreira!

Fotos (autoria): Manuel Correia

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Caminho Primitivo: Dia 8 (21 de Abril: Castroverde - San Roman de Retorta)


Transformámos esta etapa naquilo que designa de " duas em uma"! Os guias apontavam para 42 km, mas o gps do Manuel Correia marcou 46,3 km! Fica a duvida! Mas certo é que foi o dia que andámos mais! Ganhámos 1 dia, mas sobraram mazelas! Saímos de Castroverde às 07h35 da manhã e de novo com chuva, que nos acompanhou até muito perto de Lugo! Pelo meio efectuámos 2 paragens para aliviar a bexiga, beber água e ajustar a carga! Às 12h30 e após algum tempo de aproximação chegámos à imponente cidade de Lugo, a maior depois de Oviedo! Gostei da fortaleza da cidade, com as muralhas e as torres em muito bom estado, a merecer umas fotos a preceito! Uma catedral imponente que, por contingências relativas à grande extensão da etapa, não visitámos por dentro! Almoçámos todos juntos já na saída da cidade na Tasca da Calzada, ementa completa por 10 euros! E em boa hora o fizemos, pois julgo que foi decisiva esta pausa para retemperar forças que nos encheu de ânimo e de calorias para enfrentar os cerca de 20 km que ainda tínhamos pela frente! Como não tinha carimbado a credencial na catedral de Lugo, aproveitei para a carimbar onde almoçámos! A 1 km do destino parámos na Taberna do Rodrigo para saborear uma bebida! O Rodrigo quis saber como estava Portugal face à crise! Às 19h30 chegávamos a San Roman de Retorta, a tarde esteve boa e sem chuva, o que também ajudou à travessia! Ficámos no albergue Privado O Cândido. Tinha todos os serviços, lá jantámos também e tomámos o pequeno-almoço na manhã seguinte! Só não correu muito bem a questão da roupa, pois não enxugou grande coisa, uma vez que a salamandra se apagou durante a noite! Como já disse foi uma jornada que deixou marcas, a mim calhou-me em sorte uma inflamação no tendão de Aquiles do pé direito, qualquer coisa próxima de uma tendinite! Anti-inflamatórios e uma boa pomada conseguiram debelar males maiores! Antes de recolher ao quarto, ainda "passei pelas brasas" junto ao saboroso lume que ardia na salamandra, refastelado num sofá, com o Castro por companhia que também dormitou! Confesso que quando o Pimpão nos acordou nem sabia onde estava, tal era o cansaço! 

Fotos (autoria): António Delfino e Manuel Correia

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Caminho Primitivo: Dia 7 (20 de Abril: Padron - Castroverde)


Demos inicio à jornada às 07h30 da manhã! Em Vilardongo, ao chegarmos à estrada principal, deixámos de ver as setas do Caminho. Eu seguia com o Delfino, os outros seguiam um pouco mais à frente. Avistámo-los  a subir um pouco acima de nós e a certa altura interroguei-me como apanhar aquela direcção seguindo pela estrada, pois não tínhamos indicação para mudar de sentido. Voltei atrás para confirmar se não nos tinha escapado nenhuma seta, tarefa que não foi fácil, pois a chuva recomeçou a cair, até já estranhávamos quando tal não acontecia! Confirmei que não havia seta alguma para sair da estrada e quando cheguei onde o Delfino tinha ficado ele já lá não estava! Tentei telefonar-lhe sem sucesso dado que ele não tinha rede onde se encontrava! Presumi que tivesse seguido pela estrada, pois dissera-me momentos antes, quando notámos a falta de setas, que seria o melhor caminho a seguir. Pois decidi também continuar pela estrada até à próxima povoação e perguntar se estava no caminho certo! Foi o que aconteceu, bati à primeira porta que encontrei na povoação logo a seguir a Vilardongo (que não fixei o nome...) e um senhor muito simpático confirmou-me que estava no Caminho certo, continuando pela rua onde estava apanharia logo as setas! E assim aconteceu! Mais tarde vim a comprovar pelo guia que o Caminho seguia pela estrada, a seguir a Vilardongo, durante 2,6 km até entrar de novo em terra batida! Ainda assim penso que deveria estar melhor sinalizado naquele troço, mas admito que nos tenha escapado alguma seta, pois com a chuva e a pouca visibilidade, poderia muito bem ter acontecido! Faltava agora localizar o Delfino! Decidi voltar a telefonar-lhe onde me conseguisse abrigar da chuva, foi nesta fase que passei por um troço do Caminho autêntico rio, quase de águas bravas, com o telemóvel numa mão e o bastão na outra, não aterrei por milagre, não resisti a gritar raios e coriscos! Quando dei por mim estava noutro "pueblo", tudo aldeolas muito pequenas! Liguei ao Delfino e consegui, finalmente, chegar à fala com ele! Estava no Caminho que, tal como eu, o tinha apanhado pela estrada, mas pela localização que me deu (junto a uma capela...), estava à minha frente, pois não lembrava de ter passado por nenhuma capela! Disse-me que esperava por mim! E não esperou muito tempo! Minutos depois, num caminho em ascenso avistei a dita capela lá no alto! Estava junto a um antigo albergue que tinha sido recuperado para abrigar peregrinos em caso de mau tempo, tinha um espaço envolvente muito interessante e muito bem recuperado! Fizemos um ponto de situação da nossa inesperada aventura matinal e retomámos o Caminho! Em Paradavella, no bar Mesón, entrámos para comer algo e carimbar a credencial! Seguimos à risca as recomendações do seu simpático proprietário para que, nos próximos 4 km até A Lastra, seguíssemos pela estrada porque o Caminho estava intratável! E assim fizemos! A Pilar e a Viveca também já estavam a comer neste bar quando nós chegámos, o Jacob chegou pouco depois de nós! Os outros tinham aqui passado mais cedo e o Mesón ainda estava "cerrado"! Em Fontaneira parámos na Casa Bortelon que tinha um ambiente bastante acolhedor, uma lareira fechada que aquecia todo o espaço! Que bem que nos soube "fugir", nem que fosse por alguns minutos, da chuva e do frio! Pouco depois chegou o Jacob! Bebemos "canhas" e comemos tapas oferecidas pela casa! O bar tinha uma enorme colecção de notas de diversos países, Portugal incluído! O Jacob sacou de uma nota da República Checa (que nos disse que vali 4 euros...) e ofereceu-a ao dono do Bortelon e passou a integrar também a já vasta colecção! Passámos em Càdavo Baleira às 14h55! A Pilar e a Viveca ficavam por aqui, quanto ao Jacob não tínhamos bem a certeza! Chegámos a Castroverde às 16h55, já com menos chuva e com o sol a espreitar de quando em vez! Optámos por não ficar em Vilabade, uma vez que não era certo que a Casa de Turismo Rural estivesse a funcionar em pleno, ficámos mais à frente, o que sempre encurtaria (a já extensa etapa seguinte...). Ficámos no Hostal Cortez por 19 euros por pessoa (o alojamento mais caro de todo o Caminho...), não foi uma boa relação preço/qualidade, já para não falar nas deficientes condições em que tomámos banho, mas atendendo a que não havia mais nada nas imediações, foi o melhor que se pode arranjar! Em compensação valeu o final de tarde e principio de noite no bar da praça central de Castroverde, onde a simpática empregada de nome Nieves nos brindou com umas canhas e nos ofereceu diversas tapas! Subimos ao 1º andar para jantar, a sala e o simpático cozinheiro por nossa conta! Desfrutámos, entre outros pratos, da melhor sopa de marisco que já alguma vez comi! Uma sopa recheada de variado marisco! Excelente! Foi um pouco mais caro do que o menu normal, mas valeu bem a pena! Percorreram-se 32,5 km! Ah! Já me esquecia o Delfino e o Leonel compraram roupa ainda durante a tarde, acho que as mochilas estavam a ficar leves de mais, havia que compensar, eh..eh..eh...!

Fotos (autoria): Manuel Correia e António Delfino