sexta-feira, 29 de abril de 2011

Diário do Caminho Português: 2º Dia, 10 de Abril, Vilar do Pinheiro/S. Pedro de Rates (20,2 km)





Dado que no sábado de tarde tínhamos já realizado grande parte da etapa Porto/S. Pedro de Rates, no domingo (10 de Abril) restavam-nos 20,2 km para palmilhar até S. Pedro de Rates, o que nos permitiu dormir e por conseguinte descansar um pouco mais, pelo que iniciámos a etapa um pouco mais tarde do que era nosso costume, pelas 07h50 da manhã. A residencial Santa Marinha distava cerca de 700 metros das setas amarelas, trecho que serviu para um ligeiro aquecimento dos músculos. Como nenhum de nós quis fazer sanduíches com as sobras das francesinhas, até porque tivemos um pouco de receio que com a quantidade de molho que tinham, se pudessem deteriorar durante o dia, foi a cadela da proprietária da residencial que teve rancho melhorado, há cães com sorte! Esta etapa começou, a pouco e pouco, a deixar a cintura urbana do Porto e da Maia e gradualmente a entrar em zonas mais rurais, surgiram os primeiros caminhos de terra batida, paisagens muita à semelhança das que já tínhamos visto na Galiza, ou não fosse o Minho o prolongamento desta. Em Vilarinho, ao efectuarmos a primeira paragem da jornada, tivemos uma surpresa bastante agradável que veio provar, uma vez mais, como o mundo é pequeno, cruzaram-se connosco os bicigrinos de Gondomar, o Manuel Correia e o Daniel, “velhos conhecidos” do Caminho Francês, andavam a treinar para o Caminho Primitivo que estavam a contar realizar no inicio do mês de Maio. Como souberam através do nosso blogue que andaríamos por estas paragens, quiseram dar-nos uma força! Acompanharam-nos até à ponte medieval sobre o rio Ave, confraternizámos um pouco, revisitámos alguns momentos do Caminho Francês, é sito a magia do Caminho! Após uma foto de grupo em cima da ponte, eles seguiram o seu Caminho e nós seguimos o nosso! Às 11h00 efectuámos nova paragem, desta feita, um pouco mais prolongada para repor energias com uma “sandocha” de bom presunto e um copo de verde branco fresco! Às 13h15 chegávamos ao albergue de S. Pedro de Rates, já depois de na entrada desta localidade termos tirado algumas fotos junto a um painel que sinalizava o Caminho Central e também o Caminho da Costa. Acabámos por nos registar no albergue por mão própria, uma vez que a hospitaleira nunca apareceu, situação algo anómala que registamos com alguma estranheza! O carimbo foi o do restaurante Ritual onde almoçámos feijoada transmontana, nada melhor para repor calorias! De tarde descansámos um pouco no albergue e mais tarde tomámos banho. Ainda durante a tarde e na companhia do Leonel, visitámos a Igreja de Rates, um belíssimo exemplar da arquitectura românica. Com os restantes companheiros tirámos também algumas fotos junto à estátua de S. Pedro de Rates. Já mais tarde enquanto estávamos num café local aconteceu a 2ª surpresa do dia, apareceu o Sr. José Brás, um peregrino com travei amizade no facebook, estava ali perto e passou a cumprimentar o pessoal. Em Agosto irá fazer o Caminho Francês e temos trocado algumas informações, nomeadamente sobre o perfil das etapas e sobre os albergues. A magia do Caminho mais uma vez presente e, já agora, a magia das novas tecnologias também! Jantámos peixe grelhado no Ritual, onde comprámos também o pequeno-almoço do dia seguinte. Fomos para a cama cedo, pois a etapa do dia seguinte iria ser bem mais exigente, pelo que ganhar energias era premente.

Fotos: António Delfino, Leonel Gomes e António Pimpão

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Diário do Caminho Português: 1º Dia, 9 de Abril, Porto/Vilar do Pinheiro (17,5 km)




Partimos de Nisa bem cedo, às 07h00 da manhã, o Zé Carlos Monteiro teve a gentileza de passar, com a viatura, pela casa de cada um, fazendo aquilo que na verdade se chama de recolha ao domicilio. Para que o Zé Carlos não fizesse a viagem de regresso a Nisa em solitário, acompanhou-nos também o amigo João José Temudo, companheiro de outras jornadas pedestrianistas. Pelas 09h00 efectuámos uma breve paragem na localidade de Pastor para tomar o pequeno-almoço. Às 10h30 chegávamos ao Porto, com passagem pelo estádio do Dragão para apanhar o Quim (irmão do Rosalino que reside no Porto), que nos iria fazer companhia ao almoço e jantar nesta nossa primeira jornada. Logo de seguida seguimos viagem até ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, cirurgicamente conduzidos pelo amigo Quim, de forma a fugirmos às portagens. Estacionámos nas imediações do aeroporto e pouco depois o Alexandre juntava-se a nós. A Rosangela tinha embarcado às 10h15 rumo a S. Paulo. O grupo estava finalmente junto. Por isso nada como comemorar a rigor, comemos empadas e brindámos com vinho, oferta do amigo João José. O Alexandre, claro está, apenas brindou com o bom do vinho tinto, as suas opções vegetarianas assim o impuseram. Soubemos então pelo Alexandre, que o seu amigo de S. Paulo afinal não viria. Após um bonito passeio de carro pela marginal, com passagem pelo Porto de Leixões, parámos para almoçar na Foz na “Tia Aninhas”, tripas à moda do Porto (pois o que haveria de ser…), menos o João José que optou pelos rojões e o Alexandre que se ficou pelo arroz de marisco. Após o repasto fomos até à Sé Catedral, carimbámos as credenciais (primeiro nos serviços de turismo da cidade e depois pelas 14h30 na Sé, hora em que esta reabriu ao público). Já antes, pouco depois das 14h, o companheiro Daniel Oliveira dos “Restauradores da Granja”, quis estar presente para nos dar uma força no arranque, uma vez mais, bem-haja pela força, companheiro! Às 14h38 e após uma breve visita pelo interior da Sé Catedral e depois de tiradas as primeiras fotos da praxe, dávamos os primeiros passos no Caminho Central Português desde a cidade do Porto. Quase 1 ano volvido desde o Caminho Francês, estávamos de volta à Rota Jacobeia! Foi uma sensação única, um pouco difícil de descrever, qual dejá vu! Até Vilar do Pinheiro foi um percurso 100% urbano e com muito trânsito, facto para o qual já estávamos devidamente alertados. Após passagem pela zona da Maia, mais precisamente em Araújo, efectuámos uma primeira paragem para um fino e para reabastecer as garrafas de água. Um pouco antes de chegar ao destino desse dia, recebi um telefonema do companheiro António Moroso Fernandes de Castelo Branco (que em Junho vai estar a fazer o Caminho desde Chaves). Telefonou a dar-nos uma força! Bem-haja também, caro amigo e Bom Caminho também para si! Já à entrada de Vilar do Pinheiro efectuámos nova paragem para refrescar os ânimos e a sede também! Chegámos à Residencial Santa Marinha às 18h30, após o check-in e o merecido banho quente, fomos até a um bar nas imediações para amena cavaqueira entre alguns finos, azeitonas, batatas fritas e amendoins. Por sugestão do irmão do Rosalino fomos jantar ao restaurante Ricardo 3, perto da zona industrial da Maia. Fomos para as francesinhas, é claro, outra especialidade do Porto. Como éramos 7, o Quim teve que nos transportar por 2 vezes, mas a viagem também era muito curta. Pode dizer-se que nos foram servidas umas “super francesinhas”, pois na verdade 1 daria para 2 pessoas, de tal maneira que mandámos embalar o excedente para a merenda do dia seguinte. O Alexandre também comeu francesinha, mas sem carne, apenas com queijo, ovo e muito molho picante como era seu apanágio. Cerca das 21h00 o Alexandre recebeu um telefonema da Rosangela, já estava no aeroporto de S. Paulo, tinha chegado bem! O Quim levou-nos de regresso à Residencial Santa Marinha após o intenso repasto de francesinhas. O resto do serão foi passado nos quartos a ver TV, ouvir música e antecipar um pouco a etapa seguinte.

Fotos: António Delfino

terça-feira, 26 de abril de 2011

Caminho Português: o rescaldo e o diário de viagem!


Volvida mais uma aventura intensamente vivida, durante a travessia do Caminho Português em direcção a "Campus Stellae", é chegada a hora de por aqui ir relatando os momentos principais desta odisseia, com a certeza porém de que nas páginas de um diário não cabem todas as emoções vividas, grande parte delas ficarão para sempre gravadas nos nossos corações e nos nossos pensamentos! Não quero, no entanto, iniciar o diário do Caminho Português, não sem antes exaltar os AMIGOS, os que já eram e os que se fizeram durante a peregrinação! Para o Alexandre e para a Rosangela continuam a faltar-me palavras para lhes dizer o quão importantes eles se tornaram para nós, importância que saiu reforçada inclusive para as nossas famílias aquando da sua visita a Nisa. Para o Alexandre, muito em particular, o meu mais sincero agradecimento pelo privilégio que me concedeu em ser meu AMIGO, pela determinação e pelo seu empenho em engrandecer o nosso Caminho Português! Aos meus companheiros de Caminho António, Leonel, Pimpão e Rosalino, aquela palavra especial de apreço! Ao José Carlos Monteiro e ao João José Temudo pelo apoio na hora de inicio de todas as emoções! Ao Paulo Vilela (Presidente da Direcção do Sport Nisa e Benfica), pela cedência da viatura que nos transportou até ao Porto! Ao Daniel Oliveira, companheiro de outras "caminhadas" que quis estar presente junto à Sé Catedral do Porto, dando-nos uma força na hora do arranque! Ao Quim (irmão do Rosalino) que connosco confraternizou e partilhou o almoço e jantar do 1º dia!Aos companheiros bicigrinos do Caminho Francês Manuel Correia e Daniel, que nos presentearam com a sua visita em Vilarinho e nos acompanharam até à ponte medieval sobre o rio Ave! À Fernanda, ao Jacinto e à sua filha Mariana pela hospitalidade com que nos receberam em sua casa no lugar do Corgo (Vitorino dos Piães), o melhor acolhimento de todos os Caminhos que já realizámos! A todos os Amigos que fizemos no Caminho Português, muito em especial à Mamiko, à Marina, à Jenny, ao Mathias e ao Fernando, com quem privámos mais amiúde! A todos os Amigos do Caminho Francês que a todo momento recordámos, mas muito em especial à Amiga peregrina Maria Zélia que "connosco" "caminhou" nesta travessia e a quem renovo os votos sinceros de rápidas melhoras! A toda a minha família, mas muito em particular à minha mulher e filhas pelo apoio incondicional que sempre me deram na realização destas "andanças"! Nos momentos que antecedem a transcrição do diário do Caminho Português desde a cidade do Porto, quero desejar-vos, a todos, Bom Caminho na travessia das vossas vidas!

Foto: Sé Catedral do Porto
Autoria: António Delfino