segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Regresso ao Caminho!

Terminei o Caminho Francês há pouco mais de 6 meses e não estarei a mentir se vos disser que, durante este meio ano, não houve um único dia que não revisitasse esta fantástica travessia, - qual viagem espiritual -, por todos os lugares percorridos, por todos os momentos vividos com os companheiros de jornada e com os Amigos que se fizeram pelo Caminho! Digo-vos que, após terminadas as travessias de 2007 e 2010, a vontade de voltar continua a ser imponente e avassaladora, isto é mais forte do que sem dúvida, garanto-vos! Pelo que, entre o deve e o haver e ponderados os prós e os contras, decidi regressar! Não é uma decisão que se tome de ânimo leve, nunca é e também não o foi desta vez! Mas confesso que a mística e a magia do Caminho é mais forte do que eu, é mais forte do que todos nós! Tomada a decisão de voltar, surge então a pergunta de qual o Caminho a fazer. Uma vez que se perspectiva para 2012 ou 2013 uma coisa em grande, do género do Caminho Francês, optei por escolher uma solução de meio termo, nem muito grande nem demasiado curta! Depois vem a data para a realização da travessia. Analisados e conjugados uma serie de factores, fixei aquela que me pareceu a mais adequada. Sobre tudo isto falei aos restantes companheiros de jornada, muito antes de escrever estas linhas, inclusive ao Amigo Peregrino Alexandre Bittar que, mesmo do outro lado do Atlântico, se mostrou entusiasmadíssimo com a ideia! Portanto, meus amigos, se os "ventos se mantiverem favoráveis", conto, na manhã do dia 22 de Abril de 2011, estar junto à Sé Catedral do Porto, para dar inicio ao Caminho Português de Santiago desde a cidade invicta! Está decidido e não há volta a dar-lhe!

Imagem: http://asleiturasdocorvo.blogspot.com

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Desígnios do Caminho


Neste Caminho imenso onde passo,
constato,
sem qualquer constrangimento,
o quão intenso é tudo quanto vejo,
toco, sinto e penso.
Desfaço então,
com a cadência dos meus passos,
qualquer hesitação que sinto neste andar
que devagar faço e que apesar de só,
me dão ânimo para avançar,
com confiança no destino,
que teimo em querer alcançar.
Sinto a cada passo presenças,
que sem tocar me guiam,
acalmando os meus receios,
ou outros anseios,
que não me deixando parar,
e sem que note,
me conduzem nesta sorte,
que não pedi
e que sem medo,
mas em segredo, desejo.
Entre ficar ou avançar,
sem parar, dia a dia,
tropeço na acalmia que me assola
e na melancolia do Caminho,
que sendo fria me consola,
dando ao meu pensar
o carinho de meus filhos
e o amor de minha mulher,
que, sem o notar, caminham comigo,
a meu lado, guiando os meus passos,
com intensos abraços,
que embora não vendo
pressinto no restolhar suave do vento
sobre os campos de girassol
que por mim passam
e nas gotas de orvalho
na copa das árvores,
apagadas pouco a pouco pelo sol,
que sendo rei tudo pode,
cessando somente, com o estridente
chilrear dos pássaros que agora,
sem demora,
me acorda dos meus doces pensamentos
transportando-me para a suave realidade,
para este Caminho,
que sem forçar,
faço devagarinho,
fazendo com que este prazer imenso de caminhar
se prolongue e faça com que tudo o que
vejo, sinto e penso
não sejam só prazeres meus,
mas, e apesar de sozinho,
e sem perceber
sejam de toda a gente,
teimando o meu pensamento,
pela vontade de Deus,
e sem nada dizer,
prender estes momentos
e não esquecer,
que este meu viver de solitário peregrino,
é um desígnio,
não meu,
mas dos céus!
Texto e Foto : António Pimpão

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Apenas um poema ou o sinal para o inevitável retorno ao CAMINHO!

Pó, lama, sol e chuva
é o Caminho de Santiago.
Milhares de peregrinos
e mais de um milhar de anos.

Peregrino? Quem te chama?
Que força oculta te atrai?
Não será o Caminho das estrelas.
Nem as grandes Catedrais.

Não é a chuva de Navarra,
nem o vinho dos riojanos
nem os mariscos galegos,
nem os campos castelhanos.

Peregrino? Quem te chama?
Que força oculta te atrai?
Não serão as gentes do Caminho.
Nem os costumes rurais.

Não é a história e a cultura,
nem o galo de La Calzada,
nem o palácio de Gaudí,
nem o Castelo de Ponferrada.

A todos vejo passar,
e é um prazer a todos ver,
mas a voz que a mim me chama
sinto-a muito mais fundo.

A força que a mim me empurra,
a força que a mim me atrai,
nem eu mesmo a sei explicar
Só o lá de cima sabe!

Autor: E.G.B.
Foto: Caminho Francês de Santiago, Pirenéus espanhóis, Província da Navarra (autoria: A. Delfino)