segunda-feira, 14 de junho de 2010

O Diário do Caminho: 18º Dia, 6 de Maio, Astorga – Foncebadón















Quero dizer claramente que esta etapa foi das que mais me encheu as medidas: muito trilho de bosque até Rabanal del Camino e um espectacular trilho de montanha desde Rabanal até uma das mais míticas aldeias de todo o caminho Francês: Foncebadón! A única aldeia do Caminho que chegou a estar totalmente desabitada. Há 200 anos tinha 200 habitantes. Hoje tem 2 habitantes fixos e graças aos peregrinos tem 2 restaurantes, 1 alojamento rural e 3 albergues! Voltando ao princípio, partimos de Astorga às 07h00 da manhã com 25,4 km para percorrer até Foncebadón. Desde os Pirenéus que não apanhávamos etapas de montanha, hoje iríamos “matar saudades”: saída de Astorga a uma cota de 870 metros de altitude para culminar em Foncebadón a 1440 metros, com um desnível acumulado de 570 metros em 25 km de distância, portanto, subidas suaves, nada agressivas! “Desayunamos” no conhecido bar do Caminho “O Cowboy” em El Ganso, tínhamos bocadillos de queijo e chouriço feitos de véspera, bebi vinho tinto e o Delfino bebeu canhas. O simpático e bem-falante proprietário do “Cowboy” tirou-nos umas fotos para a posteridade! A seguir a Rabanal, já na subida para Foncebadón, bebemos da fresquíssima água da Fonte do Peregrino e reabastecemos os cantis. Chegámos às 13h15, tirámos também algumas fotos junto à placa com o nome da aldeia e junto à mítica Cruz de Foncebadón. Ficámos alojados no albergue paroquial, que só abria às 14h00 mas que, graças à boa vontade do seu hospitaleiro, de nome José Ramón, abriu mais cedo, por volta das 13h30. Podíamos comer e “desayunar” no albergue desde que colaborássemos na preparação das refeições. Este albergue também aceita donativo. O Castro, o Pimpão e o Luís tiveram que esperar um pouco mais à porta do albergue, pois chegaram mais cedo, por volta das 12h30. A partir das 13h30 lá nos fomos instalando, tomámos banho, lavámos roupa e descansámos um pouco. Hoje foi também um dia em que avistámos imensos peregrinos, talvez por Astorga ser também ponto de partida do Caminho Francês. Durante a tarde, bebemos umas “canhas” no bar do albergue “Convento”, na companhia do André e do Luís. Não vimos o António e em relação ao Javi já há alguns dias que não tínhamos noticiais suas. Espero que o Alexandre tenha resolvido o compromisso que o levou a adiantar-se no Caminho! Jantámos cedo. O Delfino ajudou na confecção do jantar, eu ajudei a servir a comida, o André e o Pimpão lavaram a loiça! A ementa foi sopa de lentilhas com chouriço, esparguete com molho de tomate e fruta, tudo muito bom! Bebemos também café no albergue! Antes do jantar partilhámos um momento de reflexão entre todos, em que cada um se apresentou aos demais, falou das suas motivações para o Caminho, o hospitaleiro leu também um poema muito bonito e que vinha muito a propósito da nossa aventura na rota jacobeia! Após a janta demos um passeio por Foncebadón, tirámos mais algumas fotos e contemplámos a idílica paisagem circundante da aldeia! O quarto do albergue era muito frio e sem aquecimento, pelo que tivemos que reforçar o saco cama com mais algumas mantas!

Texto: Sérgio Cebola

Fotos: António Delfino
1, 2 – Entre Astorga e El Ganso
3, 4, 5 – Bar “O Cowboy” em El Ganso
6 – Fonte do Peregrino (Rabanal del Camino)
7 – Outra fonte, a caminho de Foncebadón
8 - Foncebadón
9- A Cruz de Foncebadón
10 – Cavalos em Foncebadón
11, 12 – No bar do albergue “Convento”
13 – O jantar no albergue paroquial
14 – A Capela (ao lado ao albergue)

domingo, 13 de junho de 2010

O Diário do Caminho: 17º Dia, 5 de Maio, Villadangos del Páramo - Astorga












Não foi fácil preparar as coisas no albergue de Villadangos, pois não havia luz e entre ir à casa de banho às escuras e arranjar a mochila junto à lareira do albergue, apenas com o auxílio do frontal e da luz de uma máquina de bebidas, não foi, de facto, tarefa fácil. Às 07h00 da manhã lá retomámos o Caminho até Astorga, final da 17ª etapa. Um percurso bem mais interessante, já com alguns trechos de bosque, um pouco diferente do tão maçador e barulhento tráfego automóvel, ainda assim sem perder muito de vista a nossa já longa companheira de Caminho, a Nacional 120! Breve paragem na bonita ponte sobre o rio Orbigo, em trabalhos de beneficiação. Em Hospital de Orbigo ficámos a saber que lá se realizam uns torneiros medievais em homenagem a um episódio histórico que ali teve lugar. Em Santibañez de Valdeiglésias “desayuinámos” pela 2ª vez, bocadillos de presunto e queijo preparados de véspera com uns tintos, servidos num bar local. Tirámos um fotografia à saída de Santibañez, junto a mais um monumento ao peregrino e outra ainda no bonito Cruzeiro de Santo Oribio, já com uma vista privilegiada, qual miradouro, sobre San Justo de La Veja e Astorga. Chegámos a Asturica Augusta (Astorga) às 13h50 e de facto é uma cidade que respira muitos séculos de História: tem uma catedral magnífica, um palácio episcopal onde funciona o Museu dos Caminhos. Foi por aqui que andámos, já depois do banho e da merecida pausa para descanso. Em relação aos nossos companheiros de Caminho o Luís continua no nosso grupo, apesar de ter ficado noutro albergue, o António (de Lugo) optou por ficar num hotel e o Alexandre foi para a frente, porque tem uma encomenda para entregar ao hospitaleiro do albergue de Villafranca del Bierzo , da parte de uma sua amiga. Ficámos de nos reencontra em Vega de Valcarce. Aproveitei a tarde para escrever uns postais uns postais para a família que coloquei num marco do correio no albergue onde ficámos, de seu nome San Xavier. Jantámos no restaurante “La Paloma”, a ementa do peregrino: sopa de caldo e carrilleras al horno, uma espécie de bochechas de porco. No dia de hoje percorremos mais 28,7 km.

Texto: Sérgio Cebola

Fotos: 1 a 10 e 12 (António Delfino), foto 11 (António Pimpão)

1 – Na saída de Villadangos

2, 3 – Puente de Orbigo

4 – Villares de Orbigo

5 – Santibañez de Valdeiglésias

6 – Cruzeiro de Santo Oribio

7, 8- Vista sobre San Justo de La Veja e Astorga

9 – Astorga

10 – Palácio Episcopal de Astorga

11 – Catedral de Astorga

12 – Capela de Santiago (Catedral de Astorga)

sábado, 12 de junho de 2010

O Diário do Caminho: 16º Dia, 4 de Maio, Puente Villarente – Villadangos del Páramo












Após um excelente pequeno-almoço no albergue e uma foto de grupo à partida, retomámos o Caminho de Santiago às 07h05 da manhã, com um frio terrível e alguma neve já nas proximidades de León. Os vaticínios da véspera estavam a bater certo! Uma temperatura destas no mês de Maio, decididamente o tempo não nada bem e ainda por cima estávamos numa cota de 840 metros de altitude, pelo que o frio e a neve faziam-se sentir com mais intensidade. Depois do bom tempo e do calor que já tínhamos apanhado, quem diria que iríamos, em tão pouco tempo, levar com o reverso da medalha! À passagem por Puente Castro tive que colocar mais um par de meias, tive que vestir umas calças corta-vento por cima das outras e vestir também um anorak! Isto tudo a juntar às luvas e ao passa-montanhas que já trazia da véspera! A marcação do Caminho está bastante confusa à entrada da cidade de León, a “febre” de alguns proprietários de albergues fez com que estes colocassem setas por todo o lado a sinalizarem os albergues e não o Caminho! Alguns peregrinos que encontrámos já na saída da cidade confirmaram-nos isso mesmo! Moral da história: chegámos mais cedo à saída da cidade, à ponte sobre o rio Bernesga, sem termos passado pelos principais monumentos da cidade, incluindo a Catedral. Sorte a nossa que o Pimpão e o Castro e companhia seguiram o Caminho certo e tiraram algumas fotos! Ainda assim registámos em foto a Arena e os “leões” de León! “Desayunamos” pela 2ª vez em Virgen del Camino: bocadillos de jambón com queijo e vinho tinto. Em San Miguel del Camino o Delfino tirou uma fotografia fantástica a um campanário de uma igreja engalanada com 5 ninhos de cegonha! Voltámos a percorrer um troço de percurso muito monótono, ao lado da Estrada Nacional 120, com muito barulho do imenso trânsito que se fazia sentir entre Léon e Astorga. Ficámos alojados no albergue municipal de Villadangos del Páramo, onde chegámos às 15h15, após mais 33,2 km percorridos! O Luís perdeu-se em Virgen del Camino (fruto ainda da má marcação do Caminho…). O António (de Lugo) está de novo connosco!

Texto: Sérgio Cebola

Fotos: 1 a 4 e 7 a 11 (António Delfino), fotos 5 e 6 (António Pimpão)

1 – Partida do albergue San Pelayo (Puente Villarente)

2 – Passadiço por cima da estrada nas proximidades de León

3 – A cidade de León em pano de fundo

4 – Na cidade de Léon

5 – León - Casa de Botines (Antonio Gaudi, séc. XIX)

6 – Catedral de León

7- Junto à Arena de León

8 – Mais um monumento ao peregrino, em Virgen del Camino

9 – Um campanário de uma igreja bastante original em San Miguel del Camino

10 – Publicidade a uma adega/restaurante, também bastante original

11 – À chegada a Villdangos del Páramo