terça-feira, 8 de junho de 2010

O Diário do Caminho : 12º Dia, 30 de Abril, Castrojeriz – Población de Campos













Esta etapa começou logo com uma subida de alguma exigência, até ao vértice geodésico do Alto de Mostelares a 950 metros de altitude, com um desnível acumulado de 140 metros, desde o ponto de saída em Castrojeriz. Uma vez mais iniciámos às 07h00 da manhã. Mais à frente transpusemos o rio Pisuerga, já na província de Palencia, pela muito bem conservada Puente Fitero. Em Itero de La Vega, como os bares estavam ainda fechados, parámos junto a uma fonte para “desayunar”, com víveres comprados de véspera numa “tienda” em Castrojeriz. Em Boadilla del Camino, após reabastecimento de água numa fonte muito singular, em que a água corria pela bica através da força motriz de uma roldana accionada manualmente, “desayunamos” pela 3ª vez num albergue local muito acolhedor, servidos por um brasileiro. Ainda falando em fontes singulares, também já tínhamos reabastecido numa daquelas que é ferrada com água, acho que foi entre Tardajos e Castrojeriz. De Boadilla del Camino até Frómista tivemos a companhia do canal fluvial “Canal de Castilla”. Suponho que a sua função deverá ser a irrigação dos imensos campos de cereais adjacentes. Chegámos a Población de Campos às 15h45, o albergue garantia, para além do alojamento, jantar e pequeno-almoço, tudo pela simpática quantia de 14,50 €! Muito bom, sem dúvida! Ainda por cima havia internet à borlix! Finalmente lá consegui enviar ao Zé Carlos as fotos da 2ª e 3ª etapas do Caminho! Ainda em relação aos “comes & bebes” e aquela velha história de que em Espanha come-se mal, é caro e mais não o sei o quê, digo-vos já que isso é um mito! Temos sido muito bem tratados, temos comido bem e bebido melhor por preços bastantes acessíveis! Até me podem dizer, ah, ok são ementas específicas para peregrinos, pois são, mas tem valido muito a pena, digo-vos eu! Ao jantar conhecemos outra peregrina holandesa, a Georgette que estava a fazer o Caminho com o seu filho de 7 meses, o Kiko, um bebé muito simpático! Segundo nos explicou fazia os últimos 10 km de cada etapa e contava ir até León. A Georgette falava bem espanhol, pois já estava em Espanha há algum tempo, penso que na cidade de Valencia. Chamava “Santa Claus” (pai Natal) ao Castro por causa da barba e cabelo brancos! O Kiko também engraçou com o Castro, era na verdade um bebé muito simpático! No final de cada etapa a Georgette tinha familiares à sua espera, uma senhora de idade que deveria ser sua mãe ou sogra, penso eu. Concluo com a distância percorrida hoje: 28, 7 km.

Texto: Sérgio Cebola
Fotos: 1 a 11 (António Delfino), foto 12 (António Pimpão)

1 – O nascer do sol por cima de Castrojeriz
2 – O Vértice geodésico do Alto de Mostelares (950 m de altitude)
3, 4 – Puente Fitero
5 – Entrada na província de Palencia
6 – Fonte accionada por uma roldana, em Boadilla del Camino
7, 8, 9 – O Canal de Castilla
10 – A chegada a Población de Campos
11 – “Operação” às bolhas do Delfino pelo “enfermeiro” de serviço, o Castro
12 – A Georgette e o seu filho Kiko (ao colo da hospitaleira do albergue)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O Diário do Caminho : 11º Dia, 29 de Abril, Tardajos - Castrojeriz













Começámos a caminhar às 06h43 da manhã, nunca tínhamos saído tão cedo até então. Estava previsto percorrerem-se 29,5 km de Tardajos a Castrojeriz. O Javi reservou-nos uma agradável surpresa à chegada a Hornillos del Camino, a terra de seus pais: um verdadeiro “desayuno”, um pequeno-almoço de se lhe tirar o chapéu: ovos estrelados, chouriço frito, compota, vinho e café! Isto tudo na casa de seus pais que é também a sua casa de férias! O Caminho é isto também! Grande Amigo Javi! Nunca nos iremos esquecer disto, Companheiro!Voltámos a reencontrar o André antes de Hontanas (o belga que tínhamos visto nos Pirenéus, o nosso 1º peregrino). Estava diferente, barba comprida e caminhava em calções. Parámos em Hontanas para “desayunar” pela 3ª vez. Curioso este “pueblo”, ficava situado num vale bastante profundo, num autêntico buraco! Tanto era que Hontanas só se avistou, quando estávamos mesmo em cima da povoação, até me lembro de comentar com o António Delfino, que aquela gente deveria ter muitos problemas quando chovia. Parámos num bar no centro da aldeia, comemos bocadillos de jambón e bebemos cerveja Cruz Campo. Pouco depois chegava o Javi, que tinha demorado um pouco mais em Hornillos del Camino, bebeu uma cerveja comigo e com o Delfino, o resto da “tropa” estava para diante! Já perto de Castrojeriz, passámos pelas ruínas do Convento de Santo Antón (séc. XV), que mesmo não estando nas melhores condições de conservação, dava para ver que tinha sido uma construção imponente noutros tempos. Chegámos a Castrojeriz às 15h30, foi a primeira vez que nos deparamos com albergues lotados, com a placa bem visível a dizer “completo”. Tivemos mais sorte, junto à Plaza Mayor, no Albergue San Esteban, que apesar de estar também já cheio, a hospitaleira foi muito prestável e conseguiu “encaixar-nos” na parte debaixo do albergue, colocámos uns colchões no chão e a coisa resolveu-se. Dormimos muito bem, eu, o Castro e o Pimpão, os outros ficaram no piso superior. E tivemos direito a WC só para nós! Durante a tarde tempo ainda para relaxar e dar uma volta de reconhecimento pelas redondezas, esperámos que o Alexandre telefonasse de uma cabine para o Brasil, queria matar saudades! Depois fomos beber umas canecas (a 3ª parte do Caminho também não podia ser descurada…). Jantámos no bar restaurante “La Taberna”. Enquanto aguardávamos por mesa, bebemos umas canhas ao balcão, travámos conversa com o patrão que nos disse que também carimbava ali as credenciais e de facto o carimbo era um magnífico cavaleiro templário! Como não tinha a minha credencial comigo, não resisti a carimbar uma folha para levar como recordação! Conhecemos outro brasileiro, o Rafael, que também estava no restaurante! E ficámos a saber que outro brasileiro, este mais mediático, também tinha passado por ali, o escritor Paulo Coelho! Estava numa foto ao lado do patrão! Se calhar por isso é que o menu do peregrino ali foi mais caro: 11 euros por pessoa! (lol! lol! lol!). Conhecemos ainda uma peregrina holandesa, a Leila, que jantou connosco, dado que o restaurante estava com as mesas completas e o patrão nos pediu se não nos importávamos que ela se sentasse ao pé de nós (“Mas, por supuesto que non!”). Conversámos um pouco (em inglês) sobre as razões que tinham movido cada um fazer o Caminho. A Leila vinha de Amesterdão e acho que tinha começado a caminhar em Burgos.

Texto: Sérgio Cebola

Fotos: 1 a 9 e 10 (António Delfino), fotos 10 a 12 (António Pimpão)

1 – Na saída de Tardajos

2 – À chegada a Hornillos del Camino

3 – O inesquecível pequeno-almoço na “casa de férias" do Javi em Hornillos

4, 5 – Hontanas

6 – Ruínas do Convento de Santo Antón (séc. XV)

7, 8 - Castrojeriz

9 – Bebendo umas canhas em Castrojeriz

10 – A igreja de Castrojeriz

11 – O Rafael no restaurante “La Taberna”

12, 13 – O jantar no “La Taberna”, com a peregrina holandesa, a Leila

domingo, 6 de junho de 2010

O Diário do Caminho : 10º Dia, 28 de Abril, Atapuerca – Tardajos










Uma vez mais assistimos a um magnífico nascer do sol a caminho do Alto de Atapuerca, foi de cortar a respiração tal a sua beleza. Seriam 07h00 da manhã quando se registou esta verdadeira maravilha da natureza. Já no Alto de Atapuerca pudemos a contemplar a enorme cruz de madeira que assinala este local, assim como, as coreografias em pedra que os peregrinos que por ali passam vão construindo, não só como forma de assinalarem a sua passagem, mas também um tributo à verdadeira magia deste Caminho! A imensa cidade de Burgos encheu quase por completo a etapa de hoje. Lá chegámos por volta das 11h00 e por lá nos “perdemos” durante cerca de 2 horas entre a habitual paragem para reabastecer, as habituais fotos nos locais de culto, dos quais destaco, obviamente, a verdadeira obra de arte que é a Catedral de Burgos! Este espaço mereceu, de facto, uma visita um pouco mais prolongada! Aqui reencontrámos os nossos companheiros, que antes já tinham estado na outra Catedral da cidade: a da cerveja San Miguel! E segundo nos confidenciaram, não deram o tempo por mal empregue! O Delfino apresentou-se hoje muito melhor fisicamente, voltou a caminhar com as sandálias! Muito calor neste dia, às 16h00 chegámos a Tardajos, mais um dia sem internet que permitisse enviar algumas fotos. O albergue era dos (poucos) que não tinha taxa fixa, aceitava donativo. Uma vez mais foram cumpridos todos os habituais rituais pós-caminhada, incluindo a visita à “tienda” para comprar víveres para o “desayuno” do dia seguinte. O Alexandre e o Luís continuam connosco e o Javi aguarda por nós em Hornillos Del Camino.

Texto: Sérgio Cebola

Fotos: 1 a 5 e 8 a 10 (António Delfino), fotos 6 e 7 (António Pimpão)

1 – O nascer do sol, a caminho do Alto de Atapuerca

2 – Cruz de Madeira (Alto de Atapuerca)

3 – Coreografias com pedras feitas pelos peregrinos

4 – Burgos

5 – Catedral de Burgos

6 – O grupo junto à Catedral

7 – A “outra” Catedral: a da cerveja San Miguel

8 – Catedral de Burgos

9, 10 – A chegada a Tardajos