quinta-feira, 29 de abril de 2010

11ª Etapa: o relato (António Pimpão)

A etapa de hoje foi  rijinha, com as pequenas mazelas já a fazer alguma diferença, pese embora a jornada ter decorrido, salvo raras excepções, em longas planícies a perder de vista, e o facto é que, para quem caminha há já tantos dias,  isso pode tornar-se penoso. Mas tirando isso estamos todos bem!

A Irmandade continua unida: eu, o Castro, o Sérgio, o Delfino, o Alexandre, o Xavier e o Luís de Barcelona. De salientar a surpresa que o Xavier nos reservou hoje (sendo natural de uma das povoações do Camino, onde dormiu a noite passada, cerca de dez quilómetros à frente de onde nós ficamos a dormir), já que quando chegamos a Hornilos del Camino tinha preparado, em sua casa, um pequeno-almoço de deuses, com direito a ovo estrelado e tudo! Não há duvidas que o Xavier, de Mayor, não tem apenas o nome e a altura, tem também o companheirismo e a solidariedade do Caminho, que a pouco a pouco se transformou já numa grande amizade entre todos.

Castrojeriz é um povoado com traça muito antiga, e a nossa sorte hoje, foi que o Luís e o Alexandre fizeram um sprint final para chegar a frente, e conseguir lugar para todos no albergue onde nos encontramos de momento.

Fora 30 e tal quilómetros muito rijos, vamos lá a ver amanhã...

Até lá...

Abraço a todos os que enviam mensagens, nem sabem o bem que nos fazem ao ego.

Nota: entao e o pessoal do Brasil? Vamos lá Rosangela, vamos ai a comentar!

Um abraço para todos,

António Pimpao

11ª Etapa: Tardajos - Castrojeriz

Carimbo do Ayuntamiento de Tardajos


Brasão de Castrojeriz

11º dia da aventura. Os Peregrinos deslocam-se hoje de Tardajos para Castrojeriz, última localidade da Diputación de Burgos no Camino, a 29,5 km de distância. Como viajantes numa máquina do tempo, o Peregrino do séc. XXI interna-se na austera Castela, acompanhado apenas da sua sombra e do seu esforço, descobrindo paisagens e aldeias quase medievais, que emprestam ao Camino a áurea que o caracteriza desde a sua origem.
Já próximo do destino final desta Etapa, destacam-se as enigmáticas ruínas de uma torre, logo depois de Hontanas, e as ruínas do Convento de San Antón, mandado construir por Fernando II, em 1146.



Perfil da 11ª Etapa (clique para ampliar)

Partida: Tardajos (42º 20' 56,55'' N 3º 49' 06,07'' W)
Chegada: Castrojeriz (42º 17' 17,70'' N 4º 08' 20,00'' W)
Cota de saída: 820m
Cota de chegada: 820m
Cota mais elevada: 900m (Desvio al Arroyo San Bol)


Rabé de Las Calzadas


Fuente de Praotorre


Hontanas: vista geral


Torre em ruínas


Ruínas do Convento de San Antón


Castrojeriz: em primeiro plano o Convento
de Santa Clara e em fundo as ruínas do Castelo
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texto/infografia: jc
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carimbo: http://www.caminhodesantiago.com/sellos1.html
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fotos daqui:
- http://blogs.nortecastilla.es/
- http://www.panoramio.com/photo/9814366
- http://www.wikipedia.com/
- http://feetblisters.files.wordpress.com

quarta-feira, 28 de abril de 2010

9ª e 10ª Etapas: o relato (António Pimpão)

Olá a todos!

Primeiro quero dizer-vos que eu a falar Castelhano, já sou melhor que o Zé Carlos!

Ontem não tivemos hipóteses de fazer o resumo da etapa porque onde pernoitamos, Atapuerca, não havia Net. Talvez seja dos sítios mais bonitos que encontrei, mas vocês dirão de vossa justiça depois de verem as fotos.

Em relação à etapa, de 30,1Km, e embora tenhamos estado a grandes altitudes, decorreu quase sempre à mesma cota, tendo apenas como aspecto negativo o facto de parte do percurso ser por entre pinheirais, uma grande vereda interminável até San Juan de Ortega. A parte final foi em asfalto, o que, aliado ao calor que se fez sentir, massacrou um pouco os pés.

Em relação a etapa de hoje tenho a dizer que depois da saída de Atapuerca, e até Burgos, pouco ou nada há a registar. Em Burgos fomos à Fábrica de Cerveja San Miguel, eu o Castro e o Alexandre, tendo para isso feito um desvio de cerca de 500 metros. Fomos muito bem recebidos, já que me pareceu não ser muito usual receberem lá peregrinos, pelo menos a julgar pela forma como nos trataram. Uma palavra de especial apreço para a Luna e a Carmen, duas senhoras que nos trataram muito bem e nos acompanharam durante a visita. Terminada esta, chegamos à Catedral de Burgos, enormíssima e muito bonita, verão depois pelas fotos.

Depois de palmilhados na totalidade mais de 30 quilómetros, debaixo de um sol abrasador, chegamos a Tardajos por volta das 03h00 da tarde.

Já agora gostaria de fazer referência a mais dois companheiros que se juntaram ao comboio: o Xavier e o Luís, ambos Espanhóis, que conhecemos há umas jornadas atrás, perdemos, e agora voltamos a reencontrar

A coisa funciona mais ou menos assim: o Luís, de Barcelona, é a lebre - só o vemos no inicio e no fim da etapa – pois eu, o Castro e o Alexandre chegamos sempre após uma hora. O Xavier vai chegando depois, de seguida chegam o Delfino e o Sérgio, e depois é só contar as façanhas do dia...

Até agora está a ser espectacular, apesar do calor que veio endurecer estas últimas etapas, mas está-se bem!

Queria, sem particularizar agradecer a todos os que nos têm apoiado: acreditem que as vossas palavras nos vão dando ânimo parta as dificuldades do caminho...

Um cumprimento especial à Rosangela, esposa do Alexandre, para lhe dizer que o seu marido está em boa companhia, que formamos já os sete uma Irmandade, que se não houver azar seguirá ate Compostela...

Um abraço a todos e um cumprimento muito especial à Fernanda, Bernardo e André que amo muito e de quem vou já tendo muitas saudades.

Um abraço a todos e bem hajam!
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António Pimpão