Desde jovem que sempre me senti um pequeno aventureiro, aos 18 anos depois de concluir o meu curso industrial na cidade da Beira (Moçambique), eu e o meu grande amigo de infância Nelo Mota, resolvemos ir, entre boleias e a pé, desde a Beira (cidade onde vivíamos) até Cahora Bassa. Na altura, ainda durante a construção da barragem, o sentimento era a procura de novos mundos, de novas emoções, assim como, a procura de um pouco de liberdade em relação à dependência financeira dos nossos pais. Na altura não foi fácil tomarmos essa decisão, além da guerra colonial tínhamos pela frente cerca de Passados 31 anos e depois de algumas surpresas da vida, em 2005, também em comunhão com o amigo João Miguéns, pensámos em nos aventurar numa caminhada, qual prova de orientação (!?), de Nisa a Fátima, organizada muitíssimo bem pelo José Louro, a que o amigo Sérgio já fez referência num dos textos deste blogue. Foi o retomar de prazeres que anteriormente já tinha sentido, a paixão pela natureza, a sensação de liberdade quando caminhamos, e acima de tudo o convívio e as novas amizades. Em 5 anos já fiz pequenas, médias e grandes rotas, como se diz na gíria já tenho muitos quilómetros na bagagem (mochila), mas é para continuar enquanto me sentir bem, tanto física como psicologicamente. Esta aventura no Caminho Francês de Santiago é um misto de aventureirismo e de pão para o espírito, o sentimento de peregrino prevalece ao do caminheiro, a Fé, que muitas vezes esquecemos, empurra-nos de quando em vez para este tipo de desafio!
Texto e foto: Rosalino Castro







