terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Na Rota do Imperador Carlos V






Decorreu no dia 7 de Fevereiro de 2010 em Jarandilla de La Vera, Cáceres, Espanha, a XI edição da Rota do Imperador Carlos V, uma conhecida rota turística, de interesse histórico e cultural, constituída a partir de um episódio da sua vida. São 11 km plenos de história, desde Jarandilla de La Vera, com passagem por Aldeanueva de La Vera e Cuacos de Yuste, para terminar junto ao Mosteiro de Yuste, perto do qual o Imperador terá passado os últimos tempos da sua vida. Este percurso é, no fundo, a recriação do último trajecto efectuado por Carlos V, no dia 3 de Fevereiro de 1557, após ter abdicado do trono de Espanha. O programa das comemorações decorreu entre 5 e 7 de Fevereiro, incluiu rotas pedestres e equestres, mercado renascentista, gincanas infantis, exibição de tiro com arco, exibições teatrais e actuações de grupos de musica folk, culminando no dia 7 com a Rota pedestre que atraiu cerca de 5000 “senderistas”/caminheiros de Portugal e Espanha. O percurso da Rota do Imperador é, de facto, muito bonito, saindo de Jarandilla, passa pela Puente Parral na Garganta de Jarandilla, de onde se vislumbram as magnificas vistas da Serra de Gredos, atravessa Aldeanueva em direcção a Cuacos, passando pela puente del Tejar. Uma vez chegados a Cuacos de Yuste, onde se pode apreciar o seu centro histórico, seguimos pela Rua dos Hornos, cruzamos a estrada e seguimos por caminho empedrado até uma estrada que nos leva ao Mosteiro de Yuste. Este percurso tem uma duração aproximada de 3 horas. A Rota do Imperador foi para nós, em particular, um bom treino de preparação para o caminho Real Francês de Santiago, uma primeira adaptação a um território que irá ser o nosso “lar” durante um 1 mês. Foi pena o Pimpão não ter tido possibilidades de estar presente, teria gostado bastante, disso estou certo! Apesar de ter sido uma viagem um pouco desgastante, mais de 300 km com uma noite mal dormida em Idanha-a-Nova e de eu me ter constipado fortemente já no final do dia, ainda assim valeu bastante a pena e por certo iremos lá voltar para o ano! Esta foi também uma oportunidade para reencontrar companheiros de outras caminhadas, o José Luís Cardoso, o Rui Samarra, o António Moroso, o Jorge Verganista e o Joaquim Ramos que, imagine-se, vai também fazer o Caminho Francês de Santiago a partir de Astorga, na companhia da sua esposa, no dia 7 de Maio, “pode ser que nos encontremos!”, disse-lhe eu e daqui lhe endereço Votos de Bom Caminho! Uma palavra também de agradecimento ao Luís Temudo e à Maria da Graça Cesário que nos fizeram companhia nesta jornada! Termino com as palavras do Castro, já no final do dia no regresso a casa, “Acho que estou pronto para o Caminho! Podia partir amanhã! Não, amanhã não, na 4ª feira, teria primeiro que arranjar a mochila e despedir-me da família!”

Texto: Sérgio Cebola

Fotos: Rosalino Castro e Maria da Graça Cesário

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Os Colaboradores do “nosso” Caminho!


Às JUNTAS de FREGUESIA do ESPIRITO SANTO e de NOSSA SENHORA da GRAÇA, MUITO OBRIGADO pela enorme abertura de espírito ao aceitarem o nosso repto para apoiarem a nossa travessia! Estarão connosco neste blogue, estarão connosco durante todo o Caminho até Campus Stellae e estarão connosco até Finisterra, onde a terra acaba e o mar começa! Uma palavra muito especial de apreço e agradecimento aos respectivos Presidentes e restante Executivo pela nobreza e gentileza deste acto, tudo faremos para elevar e dignificar a confiança em nós depositada, tudo faremos para elevar bem alto o nome de Nisa em geral e das Juntas de Freguesia do Espírito Santo e de Nossa Senhora da Graça em particular! Será tão importante a nossa prestação, assim como a daqueles que, directa ou indirectamente, venham a contribuir para o seu sucesso! Tão ou mais importante que os valores pecuniários são os valores altruístas! Bem hajam pelo Vosso apoio!!!

Texto: Sérgio Cebola

Imagem: http://presintuperj.ning.com/

domingo, 31 de janeiro de 2010

Campus Stellae na comunicação social



CAMINHEIROS NISENSES AVENTURAM-SE
NOS CAMINHOS PARA SANTIAGO



Autocarro, comboio e… a partir de Saint-Jean-Pied-de-Port, nos Pirinéus franceses, será sempre a pé até Santiago. A partida de Nisa está marcada para 17 de Abril e, dois dias e muitos quilómetros depois, quatro caminheiros nisenses aventuram-se no caminho francês para Santiago de Compostela.
Sérgio Cebola, um dos mentores desta aventura, deu-nos a conhecer um pouco sobre o percurso, o planeamento, as motivações e, claro, os protagonistas que percorrerão a pé cerca de 800 quilómetros, ao longo de 30 a 35 dias.



Como surgiu a ideia de se aven­turarem nesta caminhada?

Ficámos de tal maneira realizados com o Caminho Português do Inte­rior, que fizemos em 2007, a partir de Nisa, que, volvido pouco tempo so­bre a sua conclusão, começámos, na­turalmente, logo a planear uma nova travessia pelo Caminho do Apostolo Santiago Maior. Após algumas pes­quisas na internet e diversas leituras muito atentas de alguns testemunhos pessoais, decidimos que a nossa pró­xima grande aventura teria que ser a travessia daquele que é unanimemen­te considerado como o mais famoso e carismático de todos os Caminhos de Santiago: O Caminho Real Francês!

Quem são as pessoas que se pro­põem a fazer esta caminhada até Santiago de Compostela?

Os bem aventurados, se me é per­mitida a expressão, que se propõem realizar tão arrojado desafio, para além de mim, são o António Pim­pão que tem 43 anos e é Coordena­dor Técnico no Município de Nisa, o Rosalino Castro, tem 50 anos, é funcionário da EDP, actualmente em funções na Barragem do Fratel e finalmente o António Delfino, 51 anos, pintor auto aposentado, natu­ral de Nisa mas residente em França, apesar de ser o mais velho em idade, é, contudo e se assim se pode dizer, o “benjamim da companhia” no que respeita a estas andanças de querer descobrir o mundo a pé! Em Agosto de 2009 contei-lhe as nossas aventuras no Caminho de Santiago e que nos estávamos a pre­parar para realizar o Caminho Real Francês em Abril de 2010, ficou entusiasmadíssimo com o projecto e tem andado a treinar-se no Indre-et-Loire, bem no centro de França, a preparar-se para o Caminho! Eu, o Pimpão e o António Delfino conhe­cemo-nos muito antes de praticarmos pedestrianismo, no caso do Castro foi durante uma caminhada, mais ou menos radical, que fizemos a Fátima, que o conhecemos, foi a primeira de muitas caminhadas para o Rosalino Castro!Uma palavra de apreço também para o nosso companheiro António de Almeida Valente que connosco trilhou o Caminho Português do In­terior para Santiago, desde o Teixoso.

Quando pretendem iniciar a via­gem e porquê a escolha dessa data?

Sairemos de Nisa no dia 17 de Abril de 2010, viajando de autocar­ro até Bayonne em França, seguindo depois de comboio até Saint-Jean-Pied-de-Port, nos Pirenéus franceses, onde, a 19 de Abril, iniciaremos a nossa travessia. Não há, por assim dizer, nenhuma data ideal, há quem aconselhe a Pri­mavera, o início do Verão ou do Ou­tono, mas a última decisão será sem­pre nossa! Por imperativos de agenda familiar e profissional, por ser uma época do ano em que imperam tem­peraturas mais amenas, por ser ano Xacobeo (quando o dia de Santiago, 25 de Julho, ocorre a um domingo), facto que confere ao Caminho uma outra mística, ponderados e somados todos estes “ingredientes”, optámos por realizar o Caminho entre Abril e Maio.

Que distâncias vão percorrer a pé e quanto tempo prevêem demo­rar, desde a partida até Santiago de Compostela?

Um dos aspectos que mais pesou em toda a planificação do Cami­nho, foi o facto de termos decidido fazê-lo em autonomia total, ou seja, sem qualquer apoio na rectaguarda, apenas mochila às costas com o es­tritamente indispensável! As etapas foram, ou melhor, ainda estão a ser planificadas em função de uma di­visão equilibrada da distância diária a percorrer, mas cima de tudo, em função da localização dos albergues, local de pernoita daqueles que reali­zam a pé, a cavalo ou de bicicleta, o Caminho de Santiago. A distância total a percorrer andará na ordem dos 800 km, desde Saint-Jean-Pied-de-Port, localidade basco-francesa, normalmente considerada como ponto de partida do Caminho Francês, por ali confluírem 3 das 4 vias do Caminho de Santiago em França, até Fisterra ou Finisterra, a ocidente de Compostela, o km 0 do Caminho de Santiago! 30 a 35 dias é o tempo estimado para a realização desta travessia, que será feita de se­guida.

Porquê a escolha do Caminho Francês (e não outro)? Qual a im­portância deste caminho?

Como já referi, escolhemos o Ca­minho Francês por ser o mais famoso e carismático, mas também por ra­zões culturais e históricas, pela sua beleza paisagística e cultural e ainda por ser um dos mais antigos Cami­nhos para Santiago de Compostela. Com base em alguns relatos que ti­vemos oportunidade de ler, consta­támos que existe uma certa magia, misticismo e até algum esoterismo ligados a este Caminho, aspectos que também nos cativaram de certa forma.

O que é necessário ter em con­ta quando se prepara uma viagem destas?

Se lhe disser que estamos a planear esta travessia há cerca de 2 anos, não estou a exagerar, pelo que por aqui se poderá, desde já, concluir a quantida­de de factores que é preciso ter em conta na preparação de uma activida­de desta natureza. Não é por caso que se diz que o nosso Caminho começa no preciso momento em que decidimos fazê-lo! Um dos principais factores é a predisposição física e mental que, como quase tudo nesta vida, também se aprende e treina. A escolha do equipamento, do vestuário, do cal­çado (muito importante!), da época do ano, a planificação das etapas, o conhecimento prévio do perfil das etapas (altitudes, tipo de relevo, desníveis, etc.), aspectos financeiros (é aconselhável ir fazendo algumas economias), aspectos médicos (reali­zar um check up médico antes da ac­tividade), a alimentação e, acima de tudo, ter a perfeita consciência quer dos nossos limites físicos, quer men­tais. Ter algum conhecimento e prá­tica de caminhadas ajudará bastante.

O que vos atrai e motiva a rea­lizarem este tipo de caminhadas (longas e que implicam um grande esforço físico e mental)?

Primeiro que tudo é preciso gostar daquilo que se faz e nós adoramos aquilo que fazemos! Eu pratico pe­destrianismo, – o desporto dos que andam a pé –, há 11 anos! Quando se gosta é só uma questão de ir ul­trapassando patamares e objectivos, descobrir e conhecer! Haverá melhor motivação para um caminheiro ou para um montanheiro do que saber que existem determinados locais que só conseguem ser alcançados a pé, andando, subindo, descendo ou esca­lando? Nas longas caminhadas como é o caso do Caminho de Santiago, devem ser definidos previamente ob­jectivos e estes devem ser encarados de forma gradual e progressiva: nin­guém pode jamais ambicionar subir a montanha do Pico nos Açores, sem antes ter subido, por exemplo, a Serra de S. Miguel no concelho de Nisa!

Que conselho deixaria a quem pretende seguir as vossas pisadas e empreender este (ou outro) per­curso a pé?

O conselho que deixo e por certo que os meus companheiros partilha­rão também da mesma opinião, é o do que ninguém deve empreender um percurso como o de Santiago, sem que antes tenha feito outros per­cursos, outras caminhadas, outros passeios. Como muito bem diz o adá­gio popular “o hábito faz o monge”, pelo que será sempre de bom senso, subir degrau a degrau, abrir uma por­ta de cada vez! Ninguém aprende a ler ou a escrever, sem antes aprender a falar, são as leis naturais da vida que, no fundo, se reflectem em quase tudo no nosso dia a dia.


O decorrer da viagem será conta­do em http://campusstellae1.blogspot .com/. Um “diário de bordo” que será actualizado à medida que, ao longo do percurso, os caminheiros tiverem acesso à internet. Para já é ali que se podem encontrar os detalhes afectos ao planeamento desta aventura.

Teresa Melato

Entrevista publicada no Jornal de Nisa, Nº 9, II Série, 29/01/2010